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LUTO NA CULTURA

Nadia Neves morre aos 79 anos e deixa legado na história do rasqueado cuiabano

Reconhecida pela parceria com o marido e músico João Eloy e pela defesa da identidade mato-grossense, artista deixa legado histórico para a música regional

BIANCA MORTELARO
Da redação

FALECIMENTO NADIA NEVES

A cantora Nadia Mendes de Souza Neves, conhecida artisticamente como Nadia Neves, morreu nesta terça-feira (25). Reconhecida por sua atuação na valorização e divulgação do rasqueado cuiabano e da cultura mato-grossense, ela construiu uma trajetória marcada pela música e pela parceria artística com o marido, o compositor e músico João Eloy. Informações sobre a causa da morte não foram divulgadas.

O velório será realizado nesta quarta-feira (26), das 7h às 15h, na funerária Santa Rita. O sepultamento está previsto para ocorrer às 16h, no Cemitério Parque Bom Jesus de Cuiabá.

Nascida em Niterói (RJ), Nadia teve os primeiros contatos com a música ainda na infância, quando integrou o coral escolar do Instituto de Educação de Niterói. Na década de 1960, participou de espetáculos musicais voltados à valorização das diferentes regiões brasileiras. Mais tarde, estudou Nutrição na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde conheceu João Eloy, então estudante de Medicina.

A relação com a música ganhou força a partir da juventude. Embora tenha estudado violão, teclado e acordeão entre os 15 e 20 anos, foi incentivada por João Eloy, conhecido como “Doutor do Rasqueado Cuiabano”, a retomar a prática musical. O casal passou a participar de festivais universitários, saraus e apresentações em encontros culturais no Rio de Janeiro.

Após a mudança para Mato Grosso, Nadia aprofundou sua ligação com a cultura regional. Ao lado de João Eloy, participou de pesquisas sobre a história, o folclore e as manifestações culturais do estado, tornando-se uma das vozes associadas à preservação e divulgação do rasqueado cuiabano.

Ao longo da carreira, participou de eventos tradicionais como o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, o Festival do Rasqueado e o Circuito do Rasqueado Cuiabano. Sua voz ficou registrada em produções consideradas importantes para a memória musical mato-grossense, entre elas “Não Deixe o Rasqueado Morrer”, a coletânea “Parabéns Cuiabá”, com a interpretação da canção “Baixada Cuiabana”, além dos projetos “Rasqueia MT”, “As Damas do Rasqueado”, “Rasqueando com São Benedito”, “Minhas Palavras” e o LP “Veredas dos Confins”.

Em 2005, participou da fundação da Associação do Rasqueado Cuiabano, entidade criada para fortalecer e preservar o gênero musical. Quatro anos depois, buscou aperfeiçoamento técnico ao ingressar em um curso de canto ministrado pelo professor Tato Fisher, no Departamento de Artes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Nadia também lançou o álbum “Nadia Neves Interpreta João Eloy”, trabalho dedicado às composições do companheiro, reunindo principalmente músicas ligadas ao rasqueado cuiabano. Além dos palcos e gravações, participou do programa Varanda Pantaneira, voltado à divulgação da cultura regional.

Com décadas de atuação artística, Nadia Neves deixa um legado ligado à preservação da identidade cultural mato-grossense e à difusão de um dos principais gêneros musicais da Baixada Cuiabana.

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