A doutora pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Julianne Caju, nasceu negra, mas ela disse ao HNT TV Entrevista que se tornou negra há cerca de 10 anos. A afirmação não está relacionada a militância, mas sim com sua identidade racial, abafada desde a infância por episódios racistas. Um deles que a incomodavam quando criança era quando falavam que sua ela tinha "a cor do pecado", um elogio pejorativo, com peso sexual e que ainda colocava o negro como um transgressor religioso.
"Quando fazemos a demarcação para falar sobre racismo é uma narrativa de poder", falou.
A minha tese nasce de inquietações
Essas situações foi deixando as raízes raciais de canto até que Caju entender que todas aquelas falas eram, na verdade, formas de violência. A cura, infelizmente, não é imediata, ela ressalta, e depende de muitas descobertas, sendo a principal assumir a negritude. Ao podcast, Caju falou que uma das referências sobre o "tornar-se negro" que a ajudou foi o livro da psiquiatra e psicanalista Neusa Santos Souza que leva justamente o nome deste processo.
"A minha tese nasce de inquietações", disse a doutora, primeira a adquirir o título acadêmico na sua família.
Quando fazemos a demarcação para falar sobre racismo é uma narrativa de poder
O incômodo de Caju foi ressignificado em forma de conhecimento. Sua tese de doutorado aborda a 'pretagogia', um termo cheio de simbolismo e intenção, que aponta caminhos para a educação antirracista.
Atualmente, ela tem compartilhado todo o repertório de autoconhecimento em palestras por Mato Grosso que ensinam sobre políticas públicas afirmativas, como as cotas, ressaltando que "as cotas não esmolas", até provocações mais profundas que descontroem conceitos baseados no racismo estrutural para que o negro se apodere da verdade de quem é.
"Para entender o que é racismo, precisamos entender o contraste social e histórico", reforça.
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