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DADOS DE 2025

Há 41 anos entre estados mais atingidos pelo fogo, MT avança e reduz área queimada em 76%

Conforme dados do MapBiomas, o Cerrado ao lado da Amazônia, respondem por 86% de toda a área atingida pelo fogo pelo menos uma vez desde 1985

MARYELLE CAMPOS
Da redação

Arquivo Pessoal

queimadas em Mato Grosso

Mato Grosso está entre os estados que concentram quase metade de toda a área queimada do país nos últimos 41 anos, conforme dados do MapBiomas. Desde 1985, início da série histórica, até 2025, foram 45,1 milhões de hectares queimados. Junto das áreas queimadas no Pará e Maranhão, o número corresponde a 47% do território brasileiro atingido pelo fogo. Em contrapartida, entre os anos de 2024 e 2025, Mato Grosso conseguiu reduzir o impacto das queimadas em 76%. Os dados foram publicados nesta terça-feira (21).

Já na esfera municipal, 11% de toda a área queimada do país está concentrada em 15 municípios, com destaque para as cidades de Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA), que lideram o ranking histórico. Os dados fazem parte da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, lançado pelo MapBiomas que mapeia todas as áreas queimadas do país desde 1985. 

O levantamento aponta que o Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, o que representa quase metade da área registrada em 2024. O Pantanal foi um dos principais biomas responsáveis por puxar a retração da área queimada no país em 2025, que reduziu 31% em comparação com o ano anterior. 

A diminuição também se refletiu em Mato Grosso, que de acordo com o levantamento, foi responsável por mais de 1,6 milhões de hectares queimados no país em 2025. O total de área queimada é expressivamente menor do que em 2024, quando 6,7 milhões de hectares foram devastados pelo fogo, correspondendo a quase 5,1 milhões de hectares a menos.

CERRADO EM CHAMAS

Reprodução

queimadas  Mato Grosso Cerrado

 

Apesar da diminuição, o Cerrado, que também recuou em relação a série histórica, permaneceu como o bioma mais afetado pelo fogo em todos os anos. Segundo o estudo, o Cerrado apresenta média de 9,6 milhões de hectares queimados por ano, a maior entre os biomas brasileiros. 

Já o Pantanal teve a maior queda proporcional entre todos os biomas. Foram 121 mil hectares queimados em 2025, o que corresponde a menor área queimada já registrada no bioma. A Caatinga foi o único bioma que fugiu à regra e queimou acima da média em 2025, com 505 mil hectares.

O levantamento ainda chama atenção para áreas que foram queimadas mais de uma vez. Segundo os dados 64% de tudo o que já queimou no Brasil, desde 1985, pegou fogo mais de uma vez, e a maioria dessas áreas volta a queimar em até quatro anos. Nesse sentido, o Cerrado, que é um bioma que possui uma relação ecológica com o fogo, já teve 66% de seu território queimado em mais de uma ocorrência, sendo o bioma com a maior proporção de área queimada reincidente.

Ainda com as reduções, a Amazônia segue concentrando, ao lado do Cerrado, a maior parte de tudo o que já queimou no país: os dois biomas juntos respondem por 86% de toda a área atingida pelo fogo pelo menos uma vez desde 1985.

“No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação. Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma”, afirma Vera Laísa Arruda, pesquisadora da equipe MapBiomas Cerrado e MapBiomas Fogo e pesquisadora do IPAM. 

INVESTIMENTOS

Entre os anos de 2019 e 2025, o governo de Mato Grosso investiu R$ 514 milhões em ações de prevenção, monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios florestais e ao desmatamento ilegal. Os impactos do aporte refletem na redução de 76% da área queimada no último ano. 

Para 2026, o governo já anunciou a elaboração de um plano operacional para o período de estiagem com participação de bombeiros e brigadistas. O plano contempla medidas preventivas em áreas estratégicas.

De acordo com a gestão atual, estão previstos R$ 134 milhões em investimentos de combate à queimadas no Estado este ano.

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