A Arquidiocese de Cuiabá realizou, na manhã desta terça-feira (28), o rito oficial de lacre de seus documentos sigilosos e arquivos digitais, marcando o último dia de atuação presencial do arcebispo metropolitano, Dom Mário Antonio. O procedimento, previsto pelo Código de Direito Canônico, visa assegurar a integridade e a confidencialidade de registros sensíveis, como processos administrativos e registros do clero, garantindo que o acervo permaneça inviolável até a posse do próximo arcebispo. Com o selamento, a sala episcopal de atendimento será fechada e deixará de ser utilizada durante o período de vacância.
O rito foi conduzido pelo chanceler da arquidiocese, Padre Luilson Sávio, autoridade responsável pela custódia e autenticação dos atos da Cúria Metropolitana. Segundo o sacerdote, que também é historiador, o processo consiste em organizar os documentos em invólucros próprios dentro dos armários da Sala Episcopal, que recebem o selo oficial e físico da instituição.
O momento foi acompanhado por representantes do clero, pelo advogado da Cúria e por testemunhas, reforçando a transparência e a segurança jurídica do ato de preservação da memória eclesiástica.
De acordo com as normas da Igreja, o administrador apostólico que assumirá a gestão temporária da arquidiocese não possui autorização para romper os lacres. Caso haja uma necessidade extrema de acesso, o chanceler deve ser comunicado e o futuro arcebispo nomeado precisará receber uma justificativa por escrito detalhando os motivos da abertura.
Essa restrição rigorosa estende-se tanto aos arquivos físicos quanto aos digitais, que foram igualmente selados para garantir que apenas o sucessor definitivo de Dom Mário tenha acesso pleno às informações.
A fundamentação jurídica para o zelo com os arquivos baseia-se em diversos cânones do Direito Canônico, como o 482 e o 486, que determinam o cuidado máximo na conservação dos atos diocesanos. O cânon 487 reforça que o acesso ao arquivo é restrito e depende de autorização superior, enquanto o cânon 489 trata especificamente do "arquivo secreto".
Este último abriga documentos de alto sigilo, como processos disciplinares, que devem ser guardados sob chave e protegidos por normas de abertura ainda mais restritas para preservar a disciplina e a organização da Igreja.
Dom Mário Antonio encerra seu ciclo em Cuiabá após ser nomeado para a Arquidiocese de Aparecida (SP), deixando a sede mato-grossense em um período de transição administrativa. O lacre dos documentos é visto pela instituição não apenas como uma medida de segurança, mas como um gesto de zelo pela história e pela integridade da missão evangelizadora na região.
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