O Delegado Denis Alves Pinho participou do Encontro SISBIN Centro-Oeste 2026 promovido pela Agência Brasileira de Inteligência nesta quarta-feira (07) para discutir a prevenção de ataques extremistas violentos em escolas. Durante o painel de apresentação dele, introduziu o projeto Núcleo de Inteligência e Segurança Escolar (NISE) do Estado do Amazonas, do qual participa.
Graduado em Direito, especializado Direito Penal e Processo Penal, Segurança Pública e doutor em Ciências Jurídicas, Denis atualmente é Delegado da Polícia Civil do Estado do Amazonas. Em sua fala, ressaltou a importância de manter um diálogo ativo e uma conexão com os filhos para prevenir problemas de saúde mental e até mesmo a radicalização do jovem, ele diz que antes de erguer muros nas escolas, é melhor tirar os muros que existem em casa:
“Aumente o nível de conversa, o nível de diálogo com o filho, o nível de informação. Por conta do que via no trabalho, eu passei a acompanhar a minha filha, todos os dias depois da escola ela entrava no carro e eu perguntava: "Como foi sua aula? O que você tem feito? Como está o seu relacionamento com os alunos? Isso foi fundamental para eu identificar que ela estava sofrendo bullying", afirmou.
Para frisar a importância dessa simples prática de prevenção, ele relembrou um caso que investigou: “É muito fácil abandonar o filho no ambiente digital. Em uma investigação, observamos uma criança que já tinha problemas psiquiátricos e precisava de tratamento. A mãe, pela carga de trabalho, chegava cansada do trabalho e ficava no quarto, o menino ficava no computador e ela mandava uma mensagem no WhatsApp para ele: "Não esqueça de tomar o medicamento". É uma criança de 13 anos. Ele passava a noite inteira no ambiente virtual. Por falta de acompanhamento materno e paterno, já que o pai era separado, por falta de acolhimento, ele buscou abrigo no ambiente virtual e ali teve a ideia, infelizmente, de fazer um ato extremista”, contou o delegado.
A fala de Denis tem raízes no trabalho dele no NISE, projeto que consolidou-se como uma estrutura estratégica e inovadora, voltada para a proteção do ambiente escolar por meio da integração entre educação e segurança pública. Operando com uma equipe multidisciplinar que reúne analistas da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e profissionais da educação, o núcleo utiliza ferramentas avançadas de monitoramento para acompanhar em tempo real as ocorrências em todas as escolas estaduais.
O núcleo provou sua eficácia não apenas na repressão, mas principalmente na prevenção, ao identificar que o extremismo violento muitas vezes é precedido por fenômenos como bullying, cyberbullying e problemas de saúde mental.
Além disso, a ABIN ressaltou que os ataques em escolas não são explosões passionais, mas crimes premeditados resultantes de um longo processo de radicalização. Para que a prevenção seja eficaz, a inteligência monitora indicadores que vão desde fatores psicossociais e interações em grupos radicalizados até o acesso a meios de violência, mantendo atenção redobrada em datas simbólicas, como o 20 de abril, e no chamado "efeito contágio", onde ataques recentes podem servir de gatilho para novos agressores.
O fenômeno está fortemente ancorado em subculturas digitais que promovem o ódio e a exclusão. Destacam-se as vertentes de misoginia e masculinismo e o ressurgimento de ideologias neonazistas e aceleracionistas, marcadas pelo racismo e pela obsessão pela violência. Esses discursos encontram terreno fértil tanto em fóruns online anônimos e sem moderação quanto em redes sociais convencionais, onde algoritmos e o uso de memes acabam por dessensibilizar os jovens e glorificar criminosos.
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