Cidades Segunda-feira, 07 de Novembro de 2011, 08:25 - A | A

Segunda-feira, 07 de Novembro de 2011, 08h:25 - A | A

MÁ CONDUTA

Corregedoria aponta que 54 PMs foram expulsos em 2011 por participar de crimes

Relatório diz que policiais se envolveram em delitos como tráfico de drogas, assaltos, entre outros desvios de condutas em Mato Grosso

ALIANA CAMARGO E HÉRICA TEIXEIRA
aliana@hipernoticias.com.br

Mayke Toscano/Hipernotícias

De acordo com corregedoria foram excluídos 54 policiais militares em 2011, 13 em 2010 e em 2009 foram 32. Em relação ao ano passado, número de exclusões chegam a 200% a mais em 2011 

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar, que está sob o comando do coronel Joelson Sampaio, excluiu da corporação só neste ano, 54 policiais militares que estavam treinados para o trabalho de prevenção e repressão nas ruas. Os desligamentos aconteceram por vários crimes cometidos no exercício da função. Dentre os crimes praticados está o envolvimento com o tráfico de drogas.

Só em 2011, a corregedoria expulsou sete PMs por compactuar com o tráfico de drogas, 14 por corrupção, 12 por homicídios e tentativa. Outros 21 policiais foram excluídos por crimes de menor poder ofensivo, de acordo com o corregedor-geral, delitos como furto, roubo e crimes militares como o desacato.

Em 2009 foram excluídos 32 policiais e em 2010 foram 13 desligados da corporação. Coronel Sampaio descarta a questão dos salários como fator que leva os policiais a cometerem crimes. Em relação ao ano passado, o crescimento é de 200% em exclusões.

“Eu penso que é uma sensação de que (os crimes) não serão descobertos”, aponta coronel Sampaio, para justificar os desvios de condutas.

Para o pesquisador Naldson Ramos, do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e da Cidadania Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), seriam excluídos mais policiais caso a Polícia Militar investigasse mais.

“Teríamos muito mais exclusões porque os processos são montados de tal forma que não tem testemunha para os crimes realizados por policiais, isso gera uma tendência de se arquivar os fatos. Há muito mais crimes do que realmente não chegam à sociedade”, disse Naldson Ramos.

O pesquisador atribui o poder aos policiais como um dos fatores principais para que eles cometam delitos. “Ser autoridade requer observar o que fazer e como fazer com o bens públicos e com o cidadão. O problema não é o salário, mas a oportunidade de estar perto de bandidos, assim se deixam levar por este tipo de atitude (crimes). Então ele tira o proveito de algumas situações”, disse o pesquisador.

TRÁFICO DE DROGAS

O último registro que corregedoria-geral instaurou para apurar desvio de conduta por tráfico de drogas foi do cabo PM Ailton Damacena, conhecido como Dodô, que foi preso no último dia 26 de outubro, com aproximadamente 30 quilos de pasta-base de cocaína, em Pontes e Lacerda (448 km de Cuiabá).

Ailton Damanena tem 46 anos e há 22 anos está na Polícia Militar. O cabo foi encaminhado para o presídio militar em Santo Antônio de Leverger e responderá pelo de crime de tráfico internacional de drogas.

Desde 1989 servindo à corporação, Ailton Damaceno sofrerá procedimento administrativo que poderá culminar desde uma advertência até a sua exclusão. O comandante-geral da PM, coronel Osmar Lino Farias, declarou por meio de sua assessoria que este tipo de conduta na corporação é inaceitável.

“É triste termos uma situação como essa, de um policial envolvido em um crime. Porém, não podemos, em hipótese alguma, aceitar qualquer desvio de conduta. Por isso, já estamos tomando todas as medidas cabíveis que o caso requer”, diz coronel Farias.

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