A estiagem avança em Mato Grosso e amplia o risco de incêndios no campo. Umidade relativa do ar abaixo de 20%, temperaturas próximas dos 40°C e vegetação ressecada formam o cenário que se repete todos os anos entre agosto e setembro. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça orientações técnicas aos associados e destaca que o produtor rural é o principal interessado em proteger a propriedade e áreas preservadas.
O Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), registrou 871 eventos de fogo ativo em Mato Grosso, desde o primeiro dia de agosto até a última sexta-feira (21), atrás apenas do Pará, com 987. Jangada, Paranatinga e Nova Santa Helena estão entre os municípios com mais ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros Militar. Em Jangada, a Prefeitura decretou situação de emergência no dia 17, com o fogo avançando sobre áreas urbanas e rurais. O Corpo de Bombeiros mantém equipes mobilizadas nas três cidades, com apoio de aeronaves e dos produtores rurais que atuam no combate.
"Todo ano a associação lança uma campanha antecipada, justamente com a intenção de lembrar o produtor de tomar as devidas precauções antes da seca severa. Quando chega agosto, quando os focos tradicionalmente começam a aumentar, ele já está preparado, já sabe como combater e já fez os preparativos para que, se houver fogo na propriedade, o dano seja o menor possível", afirma Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT.
Neste período, todos os anos Mato Grosso vira manchete nacional. A combinação de fatores climáticos, a extensão do Estado, o terceiro maior do país, e as características próprias de um território que reúne Amazônia, Cerrado e Pantanal, com dinâmicas de fogo distintas entre si, colocam Mato Grosso no topo das estatísticas e no centro do debate público sobre queimadas.
Bier chama a atenção para a leitura equivocada que costuma acompanhar o período. Segundo ele, o monitoramento por mapas de calor indica que os registros se concentram fora das áreas produtivas. "É nítido que esses fogos não começam em áreas de lavoura, muito menos em áreas de pecuária. Via de regra, começam em beiras de rodovias, se espalham e muitas vezes avançam para dentro das áreas produtivas. O produtor não tem interesse nenhum em colocar fogo na própria área".
Ao contrário, é ele quem tem mais a perder e quem primeiro atua no combate. "O produtor muitas vezes atua como bombeiro para apagar esses incêndios, e tem muita responsabilidade porque dentro da sua propriedade tem grande parte de área preservada também". O prejuízo, explica, vai muito além do que se perde na superfície. "Existe o risco de queimar sede, de queimar maquinário, mas o maior prejuízo é a mineralização da matéria orgânica pelo excesso de calor. Isso põe por água abaixo um trabalho que leva anos para se construir, e a matéria orgânica é componente essencial para a produtividade de qualquer cultura, especialmente soja e milho".
A atuação da associação no tema também se dá em articulação institucional. A Aprosoja MT integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros Militar em ações de prevenção e preservação. Entre as práticas recomendadas ao associado estão a construção antecipada de aceiros e a adoção de ferramentas digitais de monitoramento. "Ultimamente temos usado muita tecnologia. Já existem aplicativos que criam alertas de incêndio, e isso vem formando uma rede que minimiza o dano, reduz a velocidade de propagação e faz o fogo queimar pelo menor tempo possível", diz Bier.
O material de referência da entida9de sobre o assunto, a cartilha de Manejo Integrado do Fogo, está disponível no site da Aprosoja MT e reúne orientações práticas de prevenção, preparo da propriedade e resposta a ocorrências.
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