Familiares, amigos, colegas de profissão e ex-alunos e familiares lotaram a funerária Capela Jardins para se despedir de William Gomes, professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), radialista, jornalista e escritor.
Assim viveu o professor do rádio, como ficou conhecido durante a sua passagem por mais de 15 anos na Rádio Cultura de Cuiabá. O velório foi marcado não só pela tristeza de perder o amigo, mas também pela recordação dos áureos tempos do rádio AM por todo país.
William morreu na tarde de domingo (29) por conta de uma insuficiencia respiratória. Ele estava internado há oito dias devido a uma pneumonia. A doença se agravou no começo do ano, porém o radialista também já se tratava de diabetes.
No velório, que ocorre desde a noite de domingo, os amigos foram levar os cumprimentos aos familiares enlutados.
O radialista Carlos Roberto Mortadella, que trabalhou 18 anos na Rádio Cultura, comentou que além da radiofonia cuiabana, a cultura da capital e de Mato Grosso perde muito com a morte desse que foi um expoente quando o assunto era folclore.
"William escreveu o Dicionário Cuiabanês I e II. William era coordenador artístico da Rádio Cultura. Queria saber de festa de santo, aniversário de padre, de pessoas antigas da capital, onde estava tendo rasqueado e jogo do Mixto, perguntava para o William e ele respondia. Então aqui se perde muito, pois um homem com pouco mais de 60 anos acaba deixando uma lacuna muito grande por aqui", disse o radialista, que apresentou muito tempo o Crepúsculo Sertanejo e o famoso Beco da Lama, quadros criados por William Gomes para dar espaços para artistas nem tão conhecidos.
Alan Cosme/HiperNoticias
Carlos Mortadella contou que quadro de seu programa foi criado por William: 'Beco da Lama'
"O Beco da Lama, quadro mais famoso do rádio AM de Cuiabá, foi criado por William. Lá tocavam as músicas de pessoas que gravam cd e não tinha espaço nas grandes mídias. Então todo dia cinco músicas eram tocadas e os nem tão famosos faziam sua fama do jeito que podia. Tinha alguns que era até difícil de ouvir, mas esse era o intuito do quadro. Dar espaço para os considerados 'bregas' da música. E tudo foi ideia desse que está nos deixando hoje", disse Mortadella.
Sebastião Siqueira, jornalista e ex-apresentador do Grande Jornal Falado Cultura, também esteve na funerária para se despedir do amigo. Ele classificou William como um homem generoso. "William era o verdadeiro professor do rádio. Ele ajudava quem estava começando, ele incentivava todos que precisavam de um auxílio e ainda dava oportunidade e via brilho em quem era desacreditado da área. Quantos jovens não se formaram na comunicação devido o auxílio de William? Inúmeros. Então, a hegemonia do homem generoso se perde um pouco com a morte de William", comentou.
Tenente Lara, conhecido como "Ás de Ouro" também trabalhou com William. Brincalhão e capaz de arrancar rizadas até mesmo em um velório, Lara comentou que em 1988, ele fez um pacto de brincadeira com William no ar. "Eu vim aqui hoje para desfazer um pacto (de sarro) que fizemos em 88. Eu e William durante um programa de rádio dissemos que quem morresse primeiro de nós dois, viria para buscar o outro. Eu não quero ir agora. Vou ficar mais um pouco e por isso vim avisar ele que desfiz o trato", brincou Lara.
Dona Celina, torcedora símbolo do Mixto Esporte Clube, lembra que William, se estivesse vivo, com certeza estaria triste pela derrota para o Operário. "William, mixtense como era, hoje estaria triste e criticando o jogo de ontem em que o Mixto perdeu para o Operário. Ele era amante do futebol, comentarista nato e muito apaixonado pelo clube. Estou muito triste e em nome da torcida do alvinegro, vim aqui me despedir dessa bandeira do rádio de Mato Grosso", disse a torcedora.
O radialista era natural de Belo Horizonte-MG. Torcedor do Vasco da Gama e do Mixto Esporte Clube, William cresceu em Cuiabá na região do bairro Popular. Se formou em contabilidade e economia e fez mestrado na UFMT. Lá deu aula por mais de 20 anos e dividia as salas de aulas com a paixão pelo rádio. Em Cuiabá trabalhou na Rádio A Voz do Oeste, Cultura e Difusora. Escreveu os Dicionários Cuiabanez I e II e estava terminando o III.
Chamado de professor do rádio, William onde chegava era 'benquisto'. Fazia rápidas amizades e logo colocava um apelido em quem estivesse na roda de conversa. Com esse humor, ele também fazia seu trabalho na rádio, cobrando o poder público melhorias para as cidades através do programa Tribuna do Ouvinte.
O enterro do radialista e ex-professor será no Cemitério da Piedade às 13h30 desta segunda-feira (30).
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