Os alunos da Capoto-Jarina, em Peixoto de Azevedo (674 km de Cuiabá), estudam com a barriga vazia após a Secretaria Municipal de Educação suspender a entrega de merenda escolar. Os insumos deixaram de chegar à cozinha da única escola que atende os indígenas da aldeia liderada pelo cacique Raoni Metuktire após um caminhão do Programa Nacional de Alimentação Escolar cair em um riacho ao forçar a passagem por uma ponte de madeira comprometida pela falta de manutenção. A dispensa cheia de espaço é um retrato do colapso e abandono atravessados pela aldeia.
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Eles não conseguem estudar direito porque estão sem comer
A estrada tem ao todo 17 pontes. Seis estão em estado crítico, mas não há prazo para reformas. O cacique e diretor da escola, Monhire Metuktire, disse ao HNT que as aulas seguem mesmo sem merenda, os pratos vazios do refeitório afetam o rendimento escolar.
"Eles não conseguem estudar direito porque estão sem comer. Já falamos com a Secretaria de Educação, mas não temos retorno. Essa situação é muito ruim. Nós precisamos muito desse melhoria da estrada", desabafou Metuktire.
ALDEIA É ACESSADA APENAS DE AVIÃO
Os únicos programas que têm recebido insumos são o da saúde. Os medicamentos e o transporte de pacientes acontece pelo ar, de avião. Porém, as viagens só ocorrem durante o dia. As noites descobertas geram um gargalo, deixando os indígenas que passam mal no período sem atendimento.
O paciente quase faleceu
O cacique Metuktire lembrou o caso de um idoso de 60 anos com dispneia que quase morreu pois não havia como levá-lo de carro ao hospital.
"O paciente quase faleceu até que foi retirado e entrou direto pro hospital. Ele ficou internado e conseguiu se recuperar. Mas temos outros casos de riscos por falta de transporte. Não tem como fazer a remoção de imediato. A única alternativa que temos é o avião".
O prefeito de Peixoto de Azevedo, Paulistinha (União Brasil), não se manifestou. Ele ignorou as ligações e mensagens da reportagem.
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