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Brasil Quarta-feira, 13 de Maio de 2026, 17:00 - A | A

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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026, 17h:00 - A | A

Vaticano ameaça de excomunhão grupo católico ultraconservador

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O Vaticano ameaçou de excomunhão nesta quarta-feira, 13, um grupo católico dissidente, ligado à defesa da missa em latim, caso eles insistam em ordenar novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Esta é a primeira vez que o novo pontífice faz uma ameaça com a punição mais severa da Igreja Católica.

O escritório doutrinário do Vaticano informou à Fraternidade São Pio X, sediada na Suíça, que qualquer ordenação de bispos sem o devido consentimento do papa configuraria um cisma, ou seja, uma ruptura formal com o pontífice.

A cerimônia planejada pelo grupo extremista representaria "uma grave ofensa contra Deus e acarretaria na excomunhão prevista pela Igreja", informou em comunicado o cardeal Victor Fernández, chefe do escritório doutrinário.

A Fraternidade São Pio X é um grupo ultraconservador que rejeita as mudanças introduzidas na Igreja por meio do Concílio Vaticano II - um encontro histórico de bispos, realizado nos anos 1960, que promoveu diversas reformas na Igreja Católica, entre elas a permissão para que a missa pudesse ser celebrada em idiomas locais e não mais apenas em latim.

Pessoas excomungadas pelo Vaticano são consideradas totalmente apartadas da Igreja. Elas não podem mais receber sacramentos, como a comunhão, ou ocupar cargos religiosos. Caso morram, não têm direito a um funeral católico.

A Fraternidade São Pio X, que afirma ter 733 padres ao redor do mundo, mantém relações tensas com o Vaticano há décadas. O fundador do grupo, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, que também foram excomungados.

O sucessor de João Paulo II, Bento XVI, tentou retomar o diálogo com o grupo dissidente e revogou as excomunhões feitas por seu antecessor. A atual liderança da fraternidade anunciou em fevereiro que pretende ordenar novos bispos em julho, mesmo sem aprovação do Vaticano, alegando necessidade de ampliar o número de líderes religiosos do grupo.

A Igreja Católica considera um princípio rígido que apenas o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, como forma de manter a ligação da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros padres e bispos.

A consagração sem consentimento papal gera excomunhão automática tanto para o bispo responsável pela cerimônia quanto para os ordenados.

*Com informações da Associated Press.

(Com Agência Estado)

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