O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocou mal-estar entre integrantes do Partido Liberal (PL) ao admitir a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (30), aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consideraram inoportuna a declaração, feita quatro dias após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a publicação, integrantes do PL avaliam que Tarcísio se antecipou à disputa pelo comando da direita brasileira ao mencionar uma possível candidatura enquanto Flávio ainda tenta preservar o protagonismo no movimento bolsonarista. As críticas, atribuídas a interlocutores do partido ouvidos reservadamente, ocorrem em meio às primeiras articulações para reorganizar a oposição ao governo Lula.
A declaração do governador também reacendeu desconfianças entre aliados do senador. Parte desse grupo considera que Tarcísio poderia ter se empenhado mais na campanha presidencial, embora reconheça a participação dele em agendas ao lado de Flávio e na preparação do candidato para debates.
TARCÍSIO FALA EM 2030
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio afirmou que uma eventual candidatura à Presidência dependerá do desempenho à frente do governo paulista durante o segundo mandato, para o qual foi reeleito em primeiro turno.
O governador ressaltou que a decisão deverá considerar o cenário político da época e ser discutida coletivamente, sem depender apenas de uma escolha pessoal.
“Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, afirmou.
Tarcísio também declarou que a prioridade é cumprir o mandato em São Paulo e ponderou que a disputa presidencial de 2030 ainda está distante.
FLÁVIO TENTA MANTER PROTAGONISMO
Segundo O Globo, aliados de Flávio Bolsonaro discutem a possibilidade de o senador anunciar uma nova candidatura à Presidência em 2030. A movimentação seria uma tentativa de manter a influência política após a derrota eleitoral deste ano.
A reportagem informa que o tema vem sendo discutido com Eduardo Bolsonaro e outros aliados nos Estados Unidos. Flávio teria sinalizado a intenção de continuar à frente da oposição a Lula, apesar de ter deixado o Brasil nesta semana.
Além de Tarcísio, a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) também é vista com preocupação por setores do bolsonarismo que defendem a manutenção da liderança política de Flávio.
DESCONFIANÇA VEM DA CAMPANHA
O desconforto com Tarcísio não teria começado com a declaração sobre 2030. Durante as articulações para a eleição presidencial, o governador paulista era considerado um dos nomes que poderiam representar o campo bolsonarista na disputa pelo Palácio do Planalto.
A expectativa de parte desse grupo era de que Jair Bolsonaro apoiasse Tarcísio, mas o ex-presidente optou por lançar o próprio filho. O governador, por sua vez, permaneceu na disputa pela reeleição em São Paulo e apoiou publicamente a candidatura de Flávio.
Durante a campanha, Tarcísio participou de compromissos com o senador, viajou com ele e colaborou na preparação para debates. Ainda assim, segundo a reportagem, integrantes do entorno de Flávio mantiveram ressalvas sobre o nível de envolvimento do governador.
Apesar das críticas, parlamentares da oposição ouvidos pelo jornal ponderaram que ainda é cedo para discutir a sucessão presidencial. A avaliação é de que o cenário político poderá mudar significativamente até 2030 e que a prioridade imediata é reorganizar a oposição e definir a atuação no Congresso a partir de 2027.
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