Um grupo de parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado do governo Trump na qual cobra explicações sobre a participação da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e o acolhimento do parlamentar em solo norte-americano.
O documento cita que Flávio deixou o Brasil mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o cancelamento de seus passaportes por uma investigação criminal contra ele e cobra “prestação de contas” sobre uma facilitação do presidente Donald Trump para a acolhida do brasileiro e de sua família, emissão de visto para permanecer nos EUA e ajuda de funcionários do governo republicano na fuga.
O grupo de congressistas questiona ao Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio:
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Se as autoridades dos EUA tinham conhecimento prévio da ordem do STF que restringia a saída do senador do Brasil e exigia a entrega dos seus passaportes e se verificaram se a sua viagem era legal antes de prestarem apoio.
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Se o governo Trump autorizou a emissão, renovação ou aceleração de vistos para o senador e para a sua família durante o período eleitoral e se as investigações criminais em curso no Brasil foram devidamente ponderadas.
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Se existiram contatos diretos ou indiretos de funcionários do governo dos EUA com a equipe ou representantes do senador e se foi prestado auxílio logístico (como agendamentos consulares, transportes, voos ou acesso a aeroportos).
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Se o Departamento de Estado atuou em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, o controle de fronteiras (CBP) e o Departamento de Justiça relativamente às implicações legais de permitir a entrada de uma figura política estrangeira em suposta violação de uma ordem judicial.
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Se o governo norte-americano considerou o risco de sua atuação ser interpretada como interferência nos processos judiciais e na política interna do Brasil, e como respondeu a eventuais pedidos de informação das autoridades brasileiras sobre a localização de Flávio Bolsonaro.
Interesse legítimo
“O povo norte-americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, diz o documento, que cobra uma resposta escrita do departamento até 13 de novembro.
A carta é assinada por 25 parlamentares norte-americanos do partido Democrata, incluindo membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, e enviada ao Departamento de Estado dos EUA.
O roteiro da fuga
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder as eleições e afirmar que não reconheceria o resultado do pleito. A fuga foi feita pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú.
Cerca de 40 minutos depois, Flávio embarcou, acompanhado da esposa e das duas filhas, em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28/10).
O jato particular foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles, com exclusividade, sua participação no plano de fuga de Flávio Bolsonaro. Trump autorizou a entrada temporária do candidato derrotado no país.
Após chegar ao país, o senador publicou uma carta na qual fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e se autointitulou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, em uma nova versão do documento, Flávio Bolsonaro recuou e os termos foram substituídos por “líder do Brasil”.
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