Ruas iniciou a campanha com apenas 10% das intenções de votos no Estado, berço do bolsonarismo, e foi secretário das Cidades do ex-governador Cláudio Castro. Paes, prefeito por três mandatos, tentou manter nos últimos meses um relativo distanciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem histórica desvantagem em relação a Bolsonaro no Rio. Na última semana, Flávio e Lula, no entanto, concentraram suas campanhas no Estado, em especial na capital fluminense.
Atravessando um mandato-tampão, o Rio é hoje governado pelo desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto. Em uma sucessão de desacertos, o Rio teve, nos últimos vinte anos, todos os governadores presos ou investigados. O último, Cláudio Castro (PL), renunciou ao cargo na véspera da retomada do julgamento sobre abuso de poder político e econômico no exercício do cargo. Mesmo com a renúncia, o TSE o condenou posteriormente à inelegibilidade por oito anos. Castro é ainda investigado pela Polícia Federal em ao menos três inquéritos, entre eles o que envolve o Caso Master.
As urnas revelaram números distintos do que as três últimas pesquisas eleitorais divulgaram no último sábado. Atlas/Estadão, Quaest e Datafolha apontavam vantagem entre oito e nove pontos porcentuais para o ex-prefeito, apesar das diferenças de metodologia e da forma como os levantamentos trataram a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos).
Na simulação de segundo turno, Paes mantinha 50% das intenções de voto e Ruas, 41%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos candidatos somam 6%. Também neste caso, os porcentuais consideraram o total de entrevistados.
'PIOR CRISE'
Ao votar ontem pela manhã, em um clube da zona sul da capital fluminense, Paes se dizia otimista em obter vitória no primeiro turno, afirmando que o Rio vive a pior crise da sua história e não aguenta mais ser governado por "grupo mafioso". "Essa eleição tem dois lados muito claros. Um lado é essa turma do governo do Estado, que é o meu adversário, e o outro lado é o da mudança com segurança. O Rio vive a maior crise da sua história, política, institucional, de segurança pública, de desmando e corrupção", disse Paes após votar.
Paes apostava, naquele momento, que a eleição seria encerrada no primeiro turno. "Ninguém aguenta mais quem usou a bandeira da direita para assaltar os cofres do Estado, esse grupo delinquente, mafioso que tomou conta do governo do Estado", afirmou.
O ex-prefeito também ressaltou que a "luta no Rio é civilizatória, não é possível que depois de ter sido enganado pelo Witzel em 2018, pelo Castro, em 2022, de tanta corrupção, não tem ideologia, tem que acabar no primeiro turno. Não vejo a hora de sentar com o governador interino Ricardo Couto para avançar naquilo que ele já tem feito", concluiu.
Ruas votou em um instituto cultural em São Gonçalo, município na Baixada Fluminense governado por seu pai, Capitão Nelson, e reduto político da família. Na saída, descartou uma aliança com o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que chegou a afirmar que poderia apoiá-lo no segundo turno, ainda que "contrariado". A candidatura de Garotinho está no momento suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), portanto seus votos foram computados como anulados.
"Não há nenhuma conversa (com Garotinho). A minha campanha foi dedicada a mostrar para a população um caminho diferente da velha política, dessas pessoas que estão há 30 anos se revezando no poder", disse a jornalistas. "Não tem nenhuma compatibilidade nas ideias".
O candidato do PL disse estar seguro de que conseguiria neste domingo ultrapassar Paes (PSD). "Estamos muito confiantes de passar à frente nas urnas hoje."
Quando chegou para votar, Ruas foi recebido aos gritos de é 22, fez fotos com eleitores e brincou com crianças. O candidato estava acompanhado da mulher, Mariana, e do filho Miguel. Mais cedo, Ruas acompanhou Flávio Bolsonaro em seu voto, em Vila Isabel, zona Norte do Rio.
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação no último dia 2 contra Ruas, presidente da Assembleia. Os promotores apuram a prática de peculato, lavagem de dinheiro, delitos licitatórios e organização criminosa, crimes relativos ao crescimento patrimonial de empresas ligadas a ele. O processo está em segredo de Justiça.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com Agência Estado)
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