João não estava entre os instrutores responsáveis por lançar as pessoas da ponte. Sua função era a retirada de equipamento dos participantes após a realização dos saltos, embaixo da ponte, segundo as investigações da polícia.
Ele havia sido preso sob suspeita de ocultação de provas, incluindo o sumiço da câmera que Maria Eduarda usava durante o salto, mas a polícia descartou a hipótese e solicitou a revogação da prisão.
"É um sentimento de angústia constante. Um sentimento aterrorizante, até porque a gente não tem notícias de como as coisas estão, o que está acontecendo. Graças a Deus, agora estou mais aliviado, me sinto grato pelas equipes de investigações, que fizeram o trabalho delas, conseguiram investigar tudo e verem que, de fato, eu não tinha nada a ver com aquilo", disse à EPTV, afiliada da Rede Globo.
"Eu estava prestando um serviço. Minha parte era ficar só na parte de baixo da ponte. Foi aterrorizante", completou.
Ainda segundo o G1, além de João, Gabriel Barros Martins também foi solto nesta quarta-feira após ter a revogação da prisão solicitada. Ele fazia o acompanhamento da descida dos participantes após o salto, realização dos bloqueios e desbloqueios do sistema e preparação do equipamento para futura utilização.
Gabriel foi preso por suspeita de fugir do local após a tragédia, porém, a polícia descartou que tenha tido influência, de forma intencional ou não, na morte de Maria Eduarda.
João e Gabriel não foram indiciados pela Polícia Civil nem denunciados pelo Ministério Público (MP).
O MP denunciou, na terça-feira, 7, quatro pessoas pela morte da jovem: a organizadora do evento de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro); e os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas (Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves).
Segundo a denúncia, os acusados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança. Os promotores sustentam que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.
Sumiço de câmera
A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro que estava fixada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.
De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne "mencionou expressamente" a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil apontou que ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera da vítima. Porém, ninguém conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.
(Com Agência Estado)
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