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Brasil Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026, 17:38 - A | A

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RESTRIÇÃO JUDICIAL

Moraes manda Flávio Bolsonaro entregar passaportes e proíbe saída do país

Decisão do STF inclui cancelamento dos documentos brasileiros e proibição de contato com o advogado Willer Tomaz; senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e nega irregularidades

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, entregue os passaportes de outras nacionalidades que possuir e fique impedido de deixar o Brasil. A decisão foi tomada na noite de domingo (25), no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.

A ordem judicial estabelece três medidas: a proibição de contato entre Flávio e Tomaz, o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, e a entrega, no prazo de 24 horas, de documentos de viagem emitidos por outros países.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), Flávio afirmou que foi intimado pela Polícia Federal a entregar os documentos após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

O senador disse que vai cumprir a determinação, mas criticou a decisão e negou ter planejado deixar o país após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

INVESTIGAÇÃO APURA SUSPEITA DE LAVAGEM DE DINHEIRO

A investigação começou na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de movimentações relacionadas a empresas e casas de apostas.

O caso foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, em razão do foro especial de Flávio Bolsonaro como senador. Alexandre de Moraes foi sorteado relator do processo.

Segundo relatório da Polícia Federal, documentos relacionados à abertura de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz, indicavam que Flávio aparecia cadastrado como “usuário master”. De acordo com os investigadores, esse perfil poderia permitir acesso ampliado e gerenciamento da conta.

A PF também identificou um e-mail de maio de 2025 no qual teria sido solicitada a retirada do acesso do senador. Para os investigadores, o registro indica que ele poderia ter permanecido vinculado operacionalmente à conta até aquele período.

Os elementos fazem parte da investigação e não representam, por si só, comprovação de prática criminosa.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz confirmam que são amigos, mas negam sociedade entre eles e qualquer irregularidade.

VIAGENS E EMPRESAS ESTÃO NA APURAÇÃO

O relatório policial também menciona registros de encontros, festas e reuniões entre Flávio e Tomaz, além de documentos pessoais do senador encontrados na conta de armazenamento em nuvem do advogado.

Segundo a investigação, viagens do parlamentar teriam sido custeadas pela Cathedral, empresa ligada a Tomaz. A companhia e a Alcazar Holdings compartilhavam endereço na Ilha da Madeira, em Portugal, conforme os dados reunidos pela PF.

A Cathedral também é apontada como proprietária da Best Bet, da Rede Loto, empresa que, segundo a polícia, foi a primeira casa de apostas habilitada a atuar no Rio de Janeiro, em 2023.

Outro ponto citado pelos investigadores é uma viagem realizada em janeiro de 2025, em um avião compartilhado por três proprietários, entre eles a Alcazar Holdings. A aeronave foi usada em um trajeto de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para o Brasil, com Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz a bordo.

A investigação também apura suspeitas envolvendo Tomaz em outro caso, relacionado a possíveis movimentações financeiras e patrimoniais sob investigação da PF e que envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e familiares dele.

FLÁVIO DIZ QUE VAI RECORRER

Ao comentar a ordem de Moraes, Flávio afirmou que a decisão teria como fundamento uma declaração feita pelo irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que defendeu que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

O senador negou ter manifestado intenção de sair do país e declarou que vai entregar os passaportes, mas contestará a medida judicial.

A decisão ocorre um dia após a derrota de Flávio no segundo turno presidencial. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.

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