As mulheres apareceram como as principais interessadas: 41% responderam ter "algum" ou "muito" interesse, contra 22% dos homens.
O público feminino também é maioria no grupo daqueles que já realizaram cirurgias plásticas. Considerando apenas as cirurgias estéticas de médio e grande porte feitas no ano passado, 88% dos pacientes eram mulheres, segundo os cirurgiões plásticos consultados em outro braço do levantamento do Datafolha.
Os números geram questionamentos sobre a relação das pessoas com o próprio corpo. Como mostrou o Pulsa, o incentivo à magreza nas redes sociais, por exemplo, pode favorecer percepções distorcidas.
Por isso, ante o desejo de realizar um procedimento estético, é necessário entender as motivações.
É importante avaliar se a busca pelo procedimento parte de um desejo de resgatar a autoestima ou de uma tentativa de tratar frustrações emocionais, como em casos relacionados a transtornos de imagem, afirma o psiquiatra e psicoterapeuta Arthur Kaufman, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Ele dá o exemplo da dismorfia corporal ou "síndrome da feiura imaginária". "São pessoas que enxergam defeitos nelas próprias que só elas enxergam. Elas gastam fortunas em dentista, cirurgião plástico, dermatologista, todo mundo que lida com algum tipo de estética. Não podem ver um espelho que ficam se medindo, se comparando. Aí já é um caso doente", comenta o psiquiatra.
Quanto mais vulnerável psicologicamente, maior a possibilidade de o paciente depositar esperanças exageradas na cirurgia plástica - e maior a importância de um profissional que saiba avaliar a situação e as expectativas.
"Não existem soluções milagrosas. Promessa de milagre quase sempre é golpe", diz Marcelo Sampaio, cirurgião plástico e presidente da SBCP.
Ele defende que o cirurgião plástico é o médico adequado para alinhar as expectativas e a realidade e o profissional capaz de intervir caso haja alguma intercorrência no procedimento.
Do ponto de vista psiquiátrico, a chave para evitar escolhas arriscadas está na percepção de limite do próprio paciente. "O envelhecimento é inevitável, mas a decadência não. A autoconsciência é a principal ferramenta para que a pessoa não seja enganada por falsas promessas e busque o profissional correto quando decidir mudar algo no corpo", diz Kaufman.
(Com Agência Estado)
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