"Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico", afirmou. "Se eu tivesse algum preconceito, não teria escolhido um vice católico", acrescentou.
A declaração ocorre em meio à tentativa do candidato de afastar a informação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio nega ter defendido a medida e acusa adversários políticos de disseminarem a informação. Nesta segunda, participou da entrevista com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente.
Flávio também tem sido questionado sobre uma declaração feita anteriormente na campanha de que, caso fosse eleito, seu primeiro ato seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Nesta segunda-feira, a assessoria do candidato afirmou que a declaração se refere a uma oração que ele pretende fazer durante a cerimônia de posse, e não à edição de um decreto.
Segundo a assessoria, Flávio "fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República, entregando o Brasil nas mãos de Jesus". A explicação ocorre após a declaração provocar questionamentos sobre a relação entre a proposta e o caráter laico do Estado brasileiro.
Flávio tem intensificado referências à religião ao longo da campanha. O candidato, que frequenta a Igreja Batista, tem participado de cultos, eventos evangélicos e encontros com lideranças religiosas e associado sua candidatura a um "propósito" divino.
Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas, foi anunciado em agosto como candidato a vice na chapa de Flávio.
Católicos contra evangélicos
O candidato do PL à Presidência responsabilizou o PT pela polarização política no País e acusou o partido de tentar criar uma divisão entre católicos e evangélicos. O senador relacionou a avaliação à repercussão da informação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
"Tudo que não precisamos neste momento é de um País mais dividido ainda, como o PT faz", afirmou. "O PT aposta na divisão. Agora tiveram a audácia de colocar católicos contra evangélicos", acrescentou.
Flávio, que é evangélico, negou novamente que pretenda retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e disse que a controvérsia foi construída a partir de uma "narrativa mentirosa". O candidato também mencionou a relação de sua família com as duas vertentes do cristianismo.
Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou-se católico ao longo de sua trajetória política, embora tenha construído forte aproximação com lideranças e eleitores evangélicos. Em maio de 2016, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro foi batizado nas águas do rio Jordão, em Israel, pelo pastor Everaldo, então presidente do PSC. O ex-presidente, contudo, continuou a se identificar publicamente como católico depois da cerimônia.
A relação com o eleitorado evangélico tornou-se um dos componentes da trajetória política da família Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é evangélica e Flávio frequenta a Igreja Batista. Em janeiro deste ano, o senador foi batizado pela segunda vez no rio Jordão, durante viagem a Israel.
Ao longo da campanha presidencial, Flávio tem buscado se apresentar como uma alternativa à polarização e atribuído ao PT a responsabilidade pela divisão política no País. Ao mesmo tempo, reivindica a herança política do pai e afirma que sua candidatura representa a continuidade do legado de Jair Bolsonaro, mas com uma postura diferente.
"Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura", disse Flávio na mesma entrevista. O senador afirmou que não gosta de "briga" e que seu perfil seria adequado ao atual momento do País.
(Com Agência Estado)
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