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ASSEMBLEIA NA ONU

Lula se junta a Europa, Canadá e Quênia e cria frente pelo multilateralismo

Iniciativa leva nome "Parceiros para o Multilateralismo" e defende reforma na ONU e maior atuação do organismo

METRÓPOLES

LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, neste domingo (20/9), um artigo ao lado do presidente do Conselho Europeu, António Costa, do presidente do Quênia, William Ruto, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. No texto, publicado pelo Financial Times, os líderes anunciam a criação do Parceiros para o Multilateralismo (P4M).

“A P4M não visa criar mais um bloco exclusivo ou mais uma burocracia internacional. Seu propósito é o oposto: criar uma estrutura flexível e aberta para países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a trabalhar além das divisões, construir coalizões para a reforma e traduzir princípios compartilhados em ações práticas”, informaram.

A iniciativa, defendem os quatro líderes, tem o objetivo de resgatar os ideais do multilateralismo em um momento que “a comunidade global está mais interdependente do que nunca, mesmo estando cada vez mais fragmentada e polarizada“.

O texto foi publicado a poucos dias da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos.

No fórum, líderes das 193 nações que integram a ONU discutem os principais temas da comunidade internacional. Neste ano, os conflitos em curso no mundo devem ter destaque entre os discursos das lideranças mundiais que falam no encontro.

No texto, Lula, Costa, Ruto e Carney destacam o momento peculiar que o mundo atravessa. “Em 2025, registaram-se 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais elevado desde 1946, enquanto as despesas militares globais atingiram o valor recorde de 2,9 bilhões de dólares”, afirmaram.

Os líderes também fazem uma crítica ao aumento dos gastos militares dos países, que em 2025 ultrapassou a margem de US$ 2,9 bilhões — o presidente Lula é um crítico frequente desta cifra e, em seu últimos discursos em fóruns internacionais, criticou o empenho dos países com gastos militares.

No artigo, os quatro autores afirmam que a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas será uma prioridade da P4M. “A iniciativa P4M buscará renovar e fortalecer o sistema multilateral, não substituí-lo”, diz outro trecho.

“A P4M apoiará a reforma da ONU e de outras instituições multilaterais, para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. Seu objetivo é fortalecer a cooperação entre organizações regionais, contribuir para a paz e a segurança, aprimorar a governança econômica global e desenvolver abordagens comuns para desafios emergentes, da inteligência artificial e mudanças climáticas à segurança sanitária e transformação digital”.

A iniciativa não é uma novidade e o Brasil, na figura do presidente Lula, já engajou em outros órgãos que buscam promover a comoção entre os países em busca de uma reforma global que possa registrar feitos concretos dentro da ONU.

 

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