Assim que o Brasil foi confirmado como sede da Copa de 2014, dirigentes da CBF e integrantes do governo Lula anunciaram que este seria o Mundial da iniciativa privada. Sete anos após a promessa, o placar dos gastos com o megaevento indica que os cofres públicos perderam por goleada histórica essa disputa. Antes mesmo de a bola rolar, “a Copa das Copas” – como diz a presidenta Dilma Rousseff – já tem um vencedor: a Fifa, que projeta lucrar no Brasil mais que o dobro do que ganhou na Alemanha e quase 40% a mais que na África do Sul, em 2010.
Mas nem a entidade, que detêm todos os direitos sobre os jogos, nem o setor privado estão pagando o grosso da conta. Dos R$ 28 bilhões que estão sendo gastos em projetos da Copa, apenas R$ 5,6 bilhões (20%) provêm da iniciativa privada. Os R$ 22,5 bilhões restantes são bancados pelo contribuinte: R$ 8,7 bilhões por meio de financiamentos de bancos oficiais; R$ 6,5 bilhões por meio do orçamento federal, e R$ 7,3 bilhões pelo orçamento dos 12 estados que receberão os jogos da Copa.
No caso dos estádios, a conta para o contribuinte é, proporcionalmente, ainda maior. Dos R$ 8 bilhões destinados à construção e reforma das arenas esportivas, apenas R$ 820 milhões têm como origem a iniciativa privada, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU). Mais de R$ 4 bilhões devem retornar a instituições como o BNDES e a Caixa Econômica Federal, principais financiadoras.
|
Os dados acima são destacados no artigo “Vai ter Copa. Só não para você”, do jornalista Edemilson Paraná, vice-presidente do Psol-DF e mestrando em Sociologia da UnB, que o Congresso em Foco publica nesta sexta-feira (31). Ele questiona a aplicação de recursos públicos em um megaevento privado, cujos lucros serão de uma entidade também privada.
“A maioria do povo brasileiro não é contrária à realização da Copa do Mundo no país. É contrária, sim, aos atropelos e usurpações que cercam a organização do evento. Não fosse isso, tal maioria gostaria de uma Copa no ‘país do futebol’”, diz Edemilson. No artigo, o jornalista critica as tentativas das autoridades brasileiras de cercear os protestos que devem ganhar as ruas durante a Copa e explica por que a palavra de ordem “Não vai ter Copa”, utilizada por um grupo para atrair manifestantes, pode produzir efeito contrário.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









Carlos Nunes 31/01/2014
O Marcelo Resende quase acertou na previsão sobre o lucro da FIFA, pois disse que seriam cerca de 4 BILHÕES, mas não disse se seriam em reais ou em dólares. Agora está confirmado: vão ser cerca de 5 BILHÕES DE DÓLARES, o que dá cerca de 10 BILHÕES DE REAIS. Restaria só fazer uma pergunta chave: Em qual região brasileira, das mais carentes, esses 10 BI vão fazer uma falta danada? Uma instituição privada (a FIFA) capitalista vai ter um lucro de 10 BI, mesmo sem não gastar nadinha do próprio bolso, pois fez a turma trabalhar com dinheiro 100% público, emprestado do BNDES, da Caixa. Esse negócio de que uma parte do dinheiro é da iniciativa privada é "conversa mole para boi dormir" - o Corinthians, por exemplo, disque está fazendo a Arena do próprio bolso, mas recebeu do Estado, da Prefeitura, incentivos fiscais que dariam para fazer muito coisa para o povo mais carente. Perguntem: Quantos empresários capitalistas meteram a mão no bolso, ou emprestaram dinheiro do BNDES, da Caixa, para aplicar em Copa do Mundo? - só ser for nos próprios negócios, aonde esperam lucrar muito. Aqui, em MT, 10 BI daria, por exemplo, para revolucionar a nossa Saúde.
1 comentários