Em entrevista à rádio O Povo nesta segunda-feira, 21, Magalhães afirmou que a família recebeu a confirmação da gravidez no domingo, 20, e que, antes da morte de Isabelle, não sabia da gestação.
De acordo com Magalhães, a informação foi obtida por meio de dados do celular de Isabelle, que passa por perícia. Ele não soube dizer de quantas semanas de gestação ela estava.
Os resultados dos exames realizados pela perícia, que podem confirmar a gravidez, ainda não foram divulgados.
A estudante foi encontrada morta em 13 de setembro, no pátio do condomínio onde morava com o namorado, João Munhoz Neto, de 33 anos, no bairro Aldeota. Ele não foi localizado pela Polícia Civil desde a morte da jovem.
O Estadão não conseguiu entrar em contato com Neto nem com a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz. O espaço segue aberto.
O casal se conheceu em julho, quando Isabelle começou a estagiar no escritório de advocacia onde Neto trabalha. Magalhães afirmou que a família já havia percebido mudanças no comportamento de Isabelle. Segundo ele, sua mãe, Isorlanda Caracristi, questionou a jovem sobre o relacionamento, e ela relatou "comportamentos tóxicos" por parte de Neto.
O irmão disse que Neto não gostava que Isabelle descesse sozinha para comprar algo para comer durante o estágio e que enviava dezenas de mensagens quando ela estava com a família.
"A Isabelle não tinha a oportunidade de ficar com a família sem que estivesse sendo rastreada pelo próprio namorado", disse.
Magalhães afirmou que a família ainda não tem informações sobre a dinâmica da morte, mas que, inicialmente, o caso foi tratado como suicídio.
"Para a primeira equipe, o caso estava encerrado, foi uma pessoa que cometeu suicídio e ponto. Só que a gente questionou, a gente disse opa, não foi suicídio, porque as questões estão muito aquém da realidade."
O irmão também afirmou que, desde a morte de Isabelle, não conseguiu contato com a família de Neto. A síndica do prédio foi quem contou a Isorlanda que a filha havia morrido, quando a mulher foi até o local após não conseguir falar com Isabelle nem com Neto.
"Fomos impactados de uma forma muito brutal para além da morte da minha irmã, mas também fomos brutalmente atingidos pela forma como nós ficamos sabendo."
Magalhães acrescentou também que a família teve acesso a algumas informações que não podem ser compartilhadas para não atrapalhar as investigações.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou, em nota, que, durante os exames realizados, foram observadas lesões no corpo de Isabelle compatíveis com o impacto contra o solo. Segundo a pasta, exames laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
A Polícia Civil do Ceará afirmou que realiza "uma série de diligências relacionadas às investigações". Quatro pessoas já foram ouvidas, e outras quatro ainda devem prestar depoimento. As imagens das câmeras de monitoramento também estão sendo analisadas.
Questionada nesta segunda-feira sobre atualizações nas investigações, a Polícia Civil direcionou as perguntas à SSPDS-CE. A pasta, por sua vez, não retornou às tentativas de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
Vídeos de câmeras de monitoramento mostram os últimos momentos de Isabelle no dia da morte.
As imagens foram obtidas pelo jornal Diário do Nordeste e exibidas no programa Fantástico, da TV Globo, no domingo, 20. Segundo os vídeos, Isabelle chegou ao prédio às 17h58, com uma mala. Ela passou pela portaria e foi recebida por Neto, que havia descido para encontrá-la.
Os dois entraram no elevador e subiram para o apartamento de Neto, no 15º andar. Às 18h31, o homem entrou novamente no elevador, usando outra camiseta. Ele foi até a portaria, conversou com um funcionário por alguns segundos e, em seguida, deixou o prédio.
Às 19h12, Isabelle entrou sozinha no elevador, com o celular na mão, e seguiu para a cobertura do prédio, no 23º andar. A perícia constatou que a jovem morreu cerca de 1h30 depois, por volta das 20h40.
Neto retornou ao condomínio às 22h48, de carro. Nesse momento, um veículo da Perícia Forense já estava no local.
(Com Agência Estado)
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