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Brasil Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026, 18:30 - A | A

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026, 18h:30 - A | A

Em carta, grupo de bispos católicos se opõe a Flávio e apoia Lula sem citar os candidatos

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Em carta aberta aos católicos, bispos brasileiros se manifestam sobre o segundo turno das eleições, que ocorrerá no próximo domingo, 25 de outubro. No documento, criticam práticas e posicionamentos defendidos pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), sem citá-lo, e que, na avaliação deles, vão de encontro a práticas democráticas e doutrinas defendidas pela Igreja. Além disso, convocam os eleitores a votar em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos da Igreja.

Ao fim do documento, os bispos defendem o atual governo, também sem mencionar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). " A outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição. Gostar ou não do atual governo não pode ser razão para entregar o País nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja", argumentam.

A carta foi assinada por 65 bispos de diversas dioceses do Brasil e está em alinhamento com a última Mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que veio a público na última quarta-feira, 21.

O documento inicia com trecho de encíclica do papa Leão XIV, que defende a tomada de posição em situações de "conflitos nos quais não é justo permanecer neutro nem é suficiente pensar não ser cúmplice". Os bispos argumentam que o Brasil vive uma dessas situações em razão do cenário eleitoral, o que " exige tomar posição em nome do Santo Evangelho e da Doutrina Social da Igreja (DSI)".

"Acreditamos ser necessário e urgente aplicarmos ainda mais em nossas preces pelo País e multiplicar mensagens para ajudar nos discernimentos", defendem. "Votem para fazer a diferença. O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum", continuam.

Ao longo do texto, a carta pontua uma série de práticas e posturas defendidas por Flávio Bolsonaro, mas que, segundo eles, vão de encontro a posições defendidas pela Igreja e pela DSI. Entre elas estão posturas relacionadas aos pobres, aos trabalhadores, ao armamento das pessoas, ao respeito às instituições e à soberania nacional.

Trabalho e trato com os pobres

Segundo o documento, uma exortação apostólica critica posições que defendem "seria melhor deixar os pobres na miséria e ensinar-lhes antes a trabalhar" e que "a liberdade do mercado levará naturalmente à solução do problema da pobreza". Os bispos também defendem também que mudanças tecnológicas devem ser avaliadas a partir "dignidade do trabalhador, do direito a uma remuneração suficiente e da efetiva possibilidade de participar na vida social".

Diante disso, a carta defende que "um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecer as causas da miséria no Brasil". Com relação aos trabalhadores, os bispos afirmam que a mesma candidatura sempre foi contra o fim da escala 6x1 e defensora do pagamento por hora trabalhada, não reconhecendo a dignidade do trabalhador e podendo modificar as resoluções sobre esse tema.

Exaltação da tortura e armamento

Outro ponto abordado pelos bispos diz respeito à tortura, prática considerada injustificável pela Doutrina Social da Igreja. "Um dos candidatos é publicamente favorável à tortura e sua família fez homenagens a um dos maiores torturadores da ditadura brasileira, o general Brilhante Ustra, que matou muitas pessoas".

Em outro momento, a carta faz referência indireta à Ditadura Militar. "Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças", argumentam.

A carta compara um possível governo de Flávio com o de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no que se refere a liberação de armas. O aumento da disponibilidade de armas é temido pela DSI, que defende que é uma "ameaça grave para a estabilidade e a paz."

Concentração de poder e atitudes antidemocráticas

Os bispos sustentam ainda que Flávio segue as ideias de seu pai, citado como condenado e preso por atentar contra a democracia, tendo dado declarações contra à ordem constitucional. "Se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia", concluem.

A carta ainda cita que a Igreja defende que "qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, por isso, inaceitável", o que encontraria oposição diante das posturas do candidato Flávio Bolsonaro. "Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA."

Meio ambiente

O grupo também se diz preocupado pelo desrespeito à Ecologia Integral, elemento que ganhou centralidade na DSI. "Um dos candidatos não reconhece a crise climática, nega os problemas ecológicos e quer dar continuidade às políticas de devastação que caracterizaram o governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso. Lembremo-nos da "Lei da Devastação" (nº 15.190/2025) aprovada no ano passado."

A carta conclui ao falar mais uma vez sobre neutralidade. "Diante desses e inúmeros outros elementos, não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro."

(Com Agência Estado)

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