Nesta quinta-feira, 22, o ex-prefeito deu continuidade à série com uma gravação dedicada ao Porto Maravilha, projeto de revitalização da zona portuária da capital fluminense. Paes afirmou que Lula foi decisivo em dois momentos da iniciativa: na viabilização das obras, entre 2009 e 2010, e na retomada da operação, em 2023, após impasses financeiros que, segundo ele, não foram resolvidos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
"Eu não tô pedindo para você se apaixonar pelo Lula, eu tô pedindo para você olhar para os fatos", disse Paes, em uma frase que resume o tom adotado ao longo das publicações. O ex-prefeito tem procurado apresentar sua defesa do petista como resultado de experiências administrativas, e não como uma convocação para que seus apoiadores reproduzam automaticamente sua escolha presidencial.
A ofensiva começou na segunda-feira, 19, quando Paes reconheceu a derrota para Douglas Ruas (PL) na eleição estadual, afirmou não ser petista nem lulista e anunciou que passaria a apresentar razões concretas para votar em Lula. Desde então, cada gravação tem se concentrado em um aspecto da administração municipal. Na terça-feira, 20, o tema foi a saúde; na quarta-feira, 21, o sistema de BRT; e, nesta quinta, a revitalização do Porto Maravilha.
Na gravação sobre saúde, Paes atribuiu à parceria com Lula a ampliação dos supercentros cariocas e a transferência da gestão dos hospitais federais Andaraí e Cardoso Fontes para a prefeitura. Segundo o ex-prefeito, o governo federal destinou mais de R$ 700 milhões à recuperação e à manutenção das unidades, enquanto o primeiro supercentro, em Benfica, realizou mais de 3,4 milhões de atendimentos.
Já no vídeo sobre mobilidade urbana, publicado na quarta-feira, Paes destacou o financiamento federal que, segundo ele, permitiu a aquisição de novos ônibus, a recuperação do sistema de BRT e a conclusão da Transbrasil. O ex-prefeito dirigiu parte da mensagem especialmente aos moradores das zonas Norte e Oeste, onde o transporte coletivo ocupa papel central na rotina da população. Também pediu que os próprios passageiros compartilhassem a gravação.
"Esse é mais um motivo que me faz votar no presidente Lula, né, por fatos que você vê todo dia, que você sente todo dia, que muda a sua vida todo dia na hora de ir para o trabalho e voltar para casa", afirmou na publicação.
No vídeo desta quinta-feira, Paes voltou ao início de seu primeiro mandato, em 2009, para defender a participação do governo Lula na implantação do Porto Maravilha. O ex-prefeito destacou que grande parte dos terrenos da região pertencia à União e apontou o Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) como peça fundamental para financiar a operação, realizada por meio de uma parceria público-privada.
Paes também afirmou que encontrou a operação travada ao retornar à prefeitura, em 2021, e que não conseguiu resolver as pendências nas negociações com o governo federal em 2021 e 2022. Segundo ele, um acordo foi firmado após Lula reassumir a Presidência, permitindo a retomada dos investimentos.
"Nas duas vezes em que o Porto Maravilha precisou do Governo Federal para começar e para destravar, quem tava lá e disse sim, foi o presidente Lula. É por isso que eu voto nele", disse.
A estratégia adotada por Paes contrasta com a mobilização do governador eleito Douglas Ruas, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio. Enquanto Ruas mantém uma agenda intensa de carreatas pelo interior fluminense e utiliza suas redes para compartilhar registros dessas mobilizações, publicações do senador, cortes de debates e vídeos de outras figuras da direita, Paes tem privilegiado a produção de conteúdos próprios, mais extensos e voltados à apresentação de argumentos específicos.
A escolha por uma comunicação menos vinculada à identidade petista tem peso particular depois da eleição estadual. Paes evitou explorar intensamente a associação com Lula durante sua candidatura ao governo do Rio e agora procura apresentar a parceria com o presidente como um ativo administrativo. A tentativa é alcançar também eleitores que podem reconhecer resultados de suas gestões municipais sem necessariamente compartilhar sua preferência política nacional.
Na publicação desta quinta-feira, 22, Paes voltou a rejeitar a ideia de que seus apoiadores devam seguir sua orientação de voto apenas por identificação pessoal. "A gente tem que parar para pensar naquilo que faz bem para a nossa vida, a vida da nossa família e para a vida dos demais cidadãos do lugar que a gente vive", afirmou.
A ofensiva ocorre em um Estado onde Flávio terminou o primeiro turno com vantagem superior a 1,2 milhão de votos sobre Lula. O senador recebeu 53,01% dos votos, contra 39,41% do petista. A três dias da eleição, Paes tenta usar a memória das transformações urbanas da capital como argumento para reduzir essa distância, apostando em uma defesa de Lula que apresenta como baseada em realizações, não em fidelidade partidária.
(Com Agência Estado)
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