Segundo Carruesco, ela havia feito uma caminhada matinal e resolver passar no supermercado. Enquanto estava no estabelecimento, uma senhora a abordou insistentemente para pedir informações sobre os produtos e sobre qual era a localização deles na loja.
"Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la, mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista, ela agiu pela lógica, pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou, o lugar natural do preto é o serviço", refletiu Carruesco.
Para a desembargadora, o problema principal não é a fala da mulher, e sim a ideia normalizada de que pessoas pretas não estão em lugares de poder na sociedade - como o que ela ocupa.
"Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal. O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada. Um domingo de cada vez", concluiu.
Segundo a Polícia Civil do Mato Grosso, não foi registrado um boletim de ocorrência sobre o caso.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.







