"Pensamos no público como um todo, mas temos que ter um alerta para as crianças e os idosos. As crianças porque estão em formação e os idosos porque têm mais idade, também têm comorbidades, podem ter riscos associados. E por isso a preocupação com esses extremos", comentou Regiane de Paula, responsável pela Coordenadoria de Controle de Doenças da secretaria.
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes - o que altera a circulação atmosférica em escala global, impactando o regime de ventos, chuvas e temperaturas em todo o planeta. Para o Estado de São Paulo, a força do fenômeno pode significar ondas de calor fortes, tempestades e vendavais concentrados, com impacto em diversos setores.
No período de 2026-2027, o El Niño pode ser um dos mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1850, com a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico apresentando anomalias superiores a 2°C. O fenômeno contrário, chamado de La Niña e que envolve o resfriamento das águas do Pacífico, também ocorre regularmente e gera efeitos climáticos em todo o globo.
O plano da secretaria de saúde envolve o reforço no combate a doenças como dengue, chikungunya e febre amarela, causadas por insetos, além de doenças diarreicas, leptospirose e hepatite A.
"As arboviroses são uma das questões. Tivemos epidemias grandes nos últimos anos e a gente tem essa preocupação com a eliminação de criadouros, uma vez que hoje você tem fortes chuvas e calor extremo, então a tendência é ter mais vetores circulando. Nos preocupamos com a dengue, com a chikungunya", comenta Regiane de Paula.
Outro risco é o de acidentes com animais peçonhentos (como cobras e escorpiões), que deixam o habitat natural e invadem as áreas urbanas. Para esses casos, de acordo com a coordenadora, o importante é garantir o fornecimento de soro contra os venenos em todas as regiões.
O planejamento também envolve o monitoramento da assistência farmacêutica para impedir a falta de remédios e institui ações de saúde mental voltadas tanto para a população afetada por desastres climáticos como para os próprios profissionais da linha de frente.
A estratégia ainda aponta riscos de desidratação, exaustão térmica, insolação nas ondas de calor, que também podem piorar doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Um plano específico é pensado para pacientes que precisam de tratamento contínuo, como os que estão em terapia renal substitutiva, em tratamento oncológico ou que utilizam oxigenoterapia domiciliar.
(Com Agência Estado)
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