O síndico, Cléber Rosa de Oliveira, e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos na última madrugada sob a suspeita de terem matado a mulher. O advogado dos dois suspeitos diz aguardar acesso integral ao inquérito policial, à representação da autoridade policial e à decisão judicial para avaliar as próximas medidas (veja mais abaixo).
O corpo da vítima foi localizado em avançado estado de decomposição em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas. Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu no dia 17 de dezembro. Imagens de câmeras de segurança registraram a corretora descendo ao subsolo do prédio para verificar uma suposta falta de energia em seu apartamento. Desde então, ela não foi mais vista.
O que diz a polícia
De acordo com o delegado Rodrigo Pereira, da Delegacia Regional de Caldas Novas, as provas reunidas indicam que apenas o síndico preso tinha acesso e condições de cometer o crime, considerando o vínculo e a dinâmica do condomínio. "Diante de tudo que foi apurado, ficou demonstrado que somente o autor preso hoje teria acesso e possibilidade de cometer esse crime."
As imagens de câmeras de segurança permitiram à polícia delimitar a linha do tempo do desaparecimento. Daiane desceu ao subsolo por volta das 18h58 e desapareceu às 19h00min30s, enquanto fazia uma gravação com o próprio celular. Segundo a Polícia Civil de Goiás, minutos depois, ela foi morta no subsolo do Condomínio Amethist Tower.
Para o delegado Pedromar de Souza, do Grupo de Investigação de Desaparecidos, a ida de Daiane ao subsolo está associada a um corte de energia elétrica, prática que, conforme a investigação, já havia sido adotada pelo síndico em outros conflitos.
Testemunhas relataram que, em situações anteriores de atrito, o síndico desligava o disjuntor do prédio ou o padrão de energia de apartamentos. A polícia afirma ter comprovado que esse modus operandi era recorrente.
"Alguns pontos chamaram muito a atenção, que é o fato de desligar o registro de energia. É uma prática que o síndico já tinha. Em outros casos, testemunhas já relataram, em fatos alheios a esse, que já tiveram atritos com o síndico. Por ele não poder participar de reunião, ele foi lá e desligou o disjuntor do prédio", disse Pedromar de Souza.
Uma testemunha relatou ainda que, na véspera do desaparecimento, Daiane demonstrava apreensão após um hóspede informar que o padrão de energia do apartamento locado havia sido desligado.
Câmeras também registraram o deslocamento do síndico com o próprio carro para uma área de mata. Ele saiu com a capota fechada e retornou cerca de 40 minutos depois com a capota aberta. Em depoimento, no entanto, afirmou ter ido para outra região da cidade, o que, segundo a polícia, configura contradições relevantes. Imagens de câmeras de segurança registraram, às 19h36, Cléber dirigindo o próprio carro por uma rota divergente daquela que havia mencionado à polícia.
Durante o cumprimento dos mandados de prisão temporária - vigente por 30 dias -, foram detidos o síndico Cléber e o filho dele, Maykon. A polícia afirma que, após tomar conhecimento das provas, Cléber passou a colaborar e indicou o local onde o corpo foi deixado, em uma região de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, dentro de uma vala por onde escorre água.
Questionado sobre a motivação, Cléber permaneceu em silêncio. Sobre a dinâmica, a polícia afirma que ele relatou que Daiane chegou ao subsolo com o celular na mão, houve um "atrito" e, em seguida, ocorreu o crime, sem fornecer mais detalhes. Em entrevista ao Estadão, o advogado do suspeito afirmou que "não sabemos se essa confissão se deu de forma livre e espontânea e sem qualquer tipo de intimidação".
Segundo a PCGO, Cléber foi preso por homicídio e ocultação de cadáver, enquanto o filho acabou sendo detido por tentar atrapalhar as investigações. "O filho dele comprou um telefone novo no mesmo dia 17, possivelmente para entregar ao pai", disse o delegado Rodrigo Pereira.
O inquérito sobre o assassinato de Daiane Alves de Souza deve ser concluído em até 30 dias. A causa da morte da corretora de imóveis será apontada por meio de exames periciais.
O que diz a defesa
Em entrevista ao Estadão, o advogado dos suspeitos, Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, afirmou que tomou conhecimento da prisão e da suposta confissão pelas redes sociais e pela mídia. Segundo ele, a defesa ainda não sabe em que circunstâncias essa confissão teria ocorrido, nem se foram respeitados o direito ao silêncio e o direito à não autoincriminação. "Nós não sabemos se essa confissão se deu de forma livre e espontânea e sem qualquer tipo de intimidação", disse.
O advogado informou que teve contato rápido com os dois após a prisão, mas evitou entrar no mérito sobre autoria ou participação no crime. De acordo com ele, a defesa aguarda acesso integral ao inquérito policial, à representação da autoridade policial e à decisão judicial que decretou as prisões temporárias para avaliar as próximas medidas. "Somente posteriormente a isso nós vamos conseguir saber exatamente como se deu essa prisão", acrescentou.
Sobre a prisão de Maykon, apontada pela Polícia Civil como relacionada à obstrução da investigação, o advogado reforçou que ainda não teve acesso à decisão judicial e, por isso, não comenta o fundamento da medida. Ele destacou que a defesa vai avaliar a possibilidade de pedir a revogação da prisão deles.
Por fim, o advogado disse que a atuação da defesa busca colaborar com a Justiça e garantir os direitos constitucionais dos clientes. "Ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória", afirmou.
(Com Agência Estado)
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