Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, conforme balanço divulgado pela estatal nesta quinta-feira (23). O valor é mais de três vezes superior ao resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024 e marca o 14º trimestre consecutivo de perdas desde o último trimestre de 2022.
Do total, R$ 6,4 bilhões correspondem a despesas com precatórios — dívidas decorrentes de decisões judiciais definitivas. Desse montante, R$ 2,63 bilhões estão relacionados a passivos herdados de gestões anteriores, segundo a empresa. O gasto com precatórios em 2025 foi 55,1% maior do que no ano anterior.
A receita bruta da estatal caiu 11,35% em relação a 2024, totalizando R$ 17,3 bilhões. A principal causa apontada foi a retração de 65,6% no volume de encomendas internacionais transportadas, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor.
Em ofício interno, os Correios também informaram que provisionaram R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas relativas ao adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e ao adicional de periculosidade.
Plano de reestruturação
Para conter as despesas, a estatal implementou um Plano de Demissão Voluntária (PDV) no primeiro trimestre de 2026. Entre 3 de fevereiro e 7 de abril, 3.181 funcionários aderiram ao programa. Somando os desligamentos voluntários de 2024 e 2025, o total chega a 3.756 empregados. A economia estimada é de R$ 147,1 milhões neste ano, com projeção de R$ 775,7 milhões em 2026.
Empréstimo de R$ 12 bilhões
Nos últimos dias de 2025, os Correios firmaram contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. O valor foi creditado quase integralmente em 30 de dezembro.
O acordo tem validade até 2040, com três anos de carência e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI. A operação conta com garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional, o que significa que o governo federal respalda o pagamento caso a estatal fique inadimplente.
Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o limite de crédito com aval da União, permitindo que os Correios capturem mais R$ 8 bilhões. A decisão sobre esse novo empréstimo deve ocorrer até o fim do primeiro semestre.
O presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, afirmou que as medidas de reestruturação devem trazer resultados positivos para a empresa no longo prazo.
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