O pedido foi feito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O objetivo é apurar se o missionário religioso já foi investigado por crimes anteriores nos Estados Unidos. A Polícia Federal deverá acionar a autoridade internacional. A defesa de Dandre não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.
O homem foi preso em flagrante, no dia 5 de junho, logo após o crime. Em depoimento à Polícia Civil, Dandre assumiu a autoria do crime e alegou que teria agredido o menino após ele se recusar a lhe dar "bom dia". Ele afirmou ainda ter desferido socos no peito e no abdômen de Oliver, além de ter batido com a cabeça do menino contra o chão.
Após ser espancado, Oliver Golden Grayson de 3 anos foi socorrido e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de quarta-feira, 8.
A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente na quinta-feira, 9. Em depoimento, Dandre disse que, no momento das agressões, ela estaria em outro cômodo e não teria presenciado o crime.
A Polícia Civil apura eventual participação direta dela no crime. Os investigadores buscam esclarecer, por meio de perícia, se a mãe também praticou agressões contra o menino.
A defesa de Mayanna afirmou, em nota, que colabora com as autoridades e permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
"Ela é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado", afirmaram os advogados Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg.
Dandre é missionário religioso e mora no Brasil há nove anos. Ele e Mayanna são pais de outras quatro crianças, que foram levadas para uma instituição de acolhimento.
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), afirmou que a gestão municipal já acompanhava a família desde 27 de novembro de 2025, após uma enfermeira de uma unidade de saúde identificar hematomas em Oliver. Segundo ele, desde então, as equipes realizaram reuniões presenciais com os pais e foram até a casa da família.
Bortoletti disse que uma nova visita à residência, que ocorreria sem a presença de Dandre, estava marcada para quinta-feira, quando seria tomada a decisão final sobre o acolhimento das crianças.
"Para mim, nossa maior falha foi não entender a gravidade e a velocidade que precisava uma resposta do Estado. A gente colocou em risco. Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede", avaliou.
(Com Agência Estado)
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