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Brasil Quarta-feira, 17 de Julho de 2013, 12:28 - A | A

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Quarta-feira, 17 de Julho de 2013, 12h:28 - A | A

MAQUIAGEM

Apenas área por onde papa passará recebe melhorias em favela do Rio

Apesar de ter recebido uma UPP em janeiro, o clima em Varginha é tenso

PORTAL UOL





Em maio, quando a favela da Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, acabava de ter sido anunciada como um dos destinos do papa Francisco na cidade durante a Jornada Mundial da Juventude, o clima geral no local era de expectativa. Esgoto, asfalto, lixo --dali em diante, tudo iria melhorar. Mais de dois meses após o anúncio, apenas a área por onde o papa vai passar recebeu melhorias.

Fora as caçambas de lixo, que substituíram os antigos tonéis, e o asfalto, que teve seus buracos remendados e os quebra-molas varridos, Varginha segue quase a mesma. A mudança mais notável na comunidade é na frente da Capela de São Jerônimo, na entrada da comunidade, que ganhou um meio fio e calçamento novos. "Mas bem ao jeito deles", como explica o carpinteiro José Costa, 67, um dos responsáveis pelo espaço.

A igrejinha recebeu ainda uma nova imagem de São Jerônimo e um cartaz de boas vindas ao papa com o símbolo da Jornada Mundial da Juventude, que começa no dia 23 e, além do pontífice, deve levar ao Rio cerca de 2 milhões de fiéis. A outra capela da favela, não santificada, acabou ignorada.

"O papa vai trazer uma marca de fé, de esperança. Agora, legado mesmo não vai ficar quase nada fora um que outro buraco tapado", diz Costa, referindo-se à rua, que, apesar do calçamento recauchutado, alagou no domingo (14), quando a cidade enfrentou uma pancada forte de chuva. Na época da primeira visita da reportagem, asfalto e esgoto eram as prioridades apontadas pelo marceneiro.

Maurizio Brambatti/Efe

No dia 22 de julho, o papa Francisco desembarca por volta das 16h no aeroporto do Galeão, no Rio, para participar da Jornada Mundial da Juventude

O campo de futebol, escolhido para acolher a missa campal do papa e onde é possível vislumbrar ao longe o Cristo Redentor, e o rio que separa a comunidade da favela vizinha Mandela de Pedra também não tiveram muita atenção. Segundo os moradores, mexeram apenas na iluminação do campinho e melhoraram a ponte, que agora conta com um corrimão azul royal.

"Queria que tivessem feito uma coisa mais bonita, ajeitado esse lugar melhor, mas não foram muito além da entrada", reclama Francisca Estevão da Costa, 86. Ainda assim, ela é pura ansiedade. "Estou contando os minutos pra chegada do papa", diz, frente à sala toda decorada com imagens de santos.

Apesar de ter recebido uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) em janeiro, o clima em Varginha é tenso – até pouco tempo atrás, a região era conhecida como faixa de Gaza por causa da violência. Enquanto a reportagem visitava a comunidade, um motocilista parou e alertou que era melhor evitar fotografias. Além disso, diversos moradores evitaram entrevistas.

Na segunda-feira (15), a favela recebeu ainda a visita da Polícia Federal, que trabalha no reconhecimento do espaço que, assim como os outros lugares que devem receber o papa, teve o policiamento reforçado.

Um dos policiais militares que faziam a ronda na comunidade falava ao telefone e fazia graça ao constatar o temor dos agentes. "Eles estão morrendo de medo de caminhar por aqui", confidenciou ao interlocutor no outro lado da linha. Ao UOL, no entanto, disse que não havia nenhum problema.

Para um morador que preferiu não se identificar, a situação é simples. "Está pacificada, mas não está. É tudo muito recente, as pessoas seguem com medo." A escolha de Varginha, localizada em uma das áreas mais pobres da cidade, foi orientação do próprio papa Francisco, que determinou a inclusão de encontros com a parcela excluída da população em sua passagem pelo Rio.

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