No discurso, o ministro também mencionou a tentação do poder político e institucional. "Nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar. O poder político e institucional é uma bênção de Deus, mas, quando nossos corações não se orientam pelos valores e princípios de Deus para agir para o bem do povo, estamos nos curvando à tentação do diabo. Não busque o poder, não busque os holofotes, busque a Deus", declarou.
A fala ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master, que revelou conexões entre parentes de ministros do STF e operadores ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.
Como mostrou o Estadão, os irmãos do ministro Dias Toffoli, então relator do caso, eram sócios do cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Zettel, que administrava um dos fundos ligados ao banco.
Pressionado, Toffoli deixou a relatoria do processo, que foi redistribuído justamente a Mendonça. A renúncia ocorreu após uma reunião reservada entre ministros, convocada às pressas depois de a Polícia Federal (PF) identificar menções a Toffoli no celular de Vorcaro.
Toffoli não é o único integrante da Corte com pessoas próximas envolvidas no caso. O escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões até 2027 com o Banco Master, segundo o jornal O Globo.
Além das relações entre pessoas próximas a ministros e o banco, o Estadão revelou que um grupo de parlamentares atuou para aprovar propostas no Congresso Nacional que beneficiavam o Banco Master, blindavam políticos, pressionavam a Polícia Federal e o Banco Central e, agora, tenta evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.
'Terrivelmente evangélico'
À época advogado-geral da União, Mendonça foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, em 2021. Em 2019, no início do mandato, Bolsonaro havia afirmado que pretendia indicar um nome "terrivelmente evangélico" para uma das vagas que se abririam na Corte.
Mendonça assumiu a cadeira deixada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou em julho daquele ano, e contou com apoio de líderes evangélicos próximos ao então presidente.
Quando foi indicado, Mendonça era reverendo da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, ligada a uma vertente considerada mais progressista dentro do meio evangélico, em contraste com setores mais conservadores predominantes nesse campo religioso.
(Com Agência Estado)
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