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Brasil Domingo, 06 de Setembro de 2026, 17:30 - A | A

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ACHADO NO CEARÁ

Agricultor que encontrou petróleo tem sítio incluído em bloco exploratório da ANP

Área de Sidrônio Moreira está entre 24 novos blocos indicados pela agência na Bacia Potiguar, mas ainda depende de estudos e eventual leilão

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO

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O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou petróleo ao perfurar o solo em busca de água, recebeu uma nova sinalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre o futuro da área onde vive, em Tabuleiro do Norte, no Ceará. A agência aprovou a indicação de 24 novos blocos exploratórios na Bacia Potiguar, incluindo a região onde está o sítio do agricultor.

A decisão foi tomada na sexta-feira (4) e representa mais uma etapa para uma eventual exploração comercial do petróleo encontrado na propriedade. Sidrônio acompanhou uma reunião on-line da ANP no campus do Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Tabuleiro do Norte, e afirmou ter ficado animado com o avanço.

“Eu fiquei muito animado, porque é mais um passo. Vai andar pra frente. Resolver isso o quanto antes é bom pra nós”, declarou.

A inclusão da área em um bloco exploratório, porém, não significa que o petróleo já será retirado do local. Antes de uma eventual exploração, os blocos ainda precisam passar por análises ambientais, avaliações técnicas e outras etapas. Depois disso, a área poderá ser disponibilizada para um futuro leilão, caso seja considerada apta.

Petróleo apareceu quando agricultor procurava água

Sidrônio descobriu a substância em novembro de 2024, quando perfurava o solo de uma propriedade rural de 48 hectares para tentar criar um poço de água.

O líquido escuro encontrado no local passou por análises e, em maio de 2026, a própria ANP confirmou que se tratava de petróleo cru.

A família havia comunicado a agência sobre o possível achado em julho de 2025. O IFCE também participou do processo, realizando os primeiros testes e auxiliando no contato com a ANP.

Após a confirmação, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o contexto geológico, incluindo a possibilidade de dimensionar a ocorrência e verificar a viabilidade de uma futura exploração.

O local fica na área da Bacia Potiguar, formação que se estende pelos territórios do Ceará e do Rio Grande do Norte e possui áreas terrestres e marítimas com ocorrências de petróleo.

O que muda com os novos blocos

A ANP informou que o bloco que contempla a região de Tabuleiro do Norte é o POT-T-551. Segundo a agência, os 24 blocos indicados poderão futuramente ser incluídos em ciclos da Oferta Permanente de Concessão.

A disponibilização, no entanto, ainda depende do cumprimento de etapas regulatórias. Entre elas estão análise ambiental, manifestação conjunta dos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e do Clima, além de audiência pública.

Somente depois dessas etapas será possível avaliar a inclusão das áreas em uma oferta. Mesmo que um bloco seja disponibilizado, ainda é necessário que alguma empresa tenha interesse em disputá-lo.

Portanto, a indicação da área não representa garantia de exploração ou de produção de petróleo no sítio de Sidrônio.

Agricultor enfrenta dificuldades desde a descoberta

Enquanto aguarda uma definição sobre o futuro da propriedade, Sidrônio continua enfrentando dificuldades para manter as atividades rurais.

O agricultor não conseguiu abrir outro poço para abastecer a propriedade e utiliza água de uma adutora para as necessidades básicas da família. A restrição para novas perfurações também dificulta a manutenção de animais e plantações.

A situação financeira é outro problema. Sidrônio contraiu empréstimos para custear a perfuração que acabou levando à descoberta do petróleo e ainda precisa arcar com as parcelas.

“Agora em setembro tem que pagar outra parcela do empréstimo, mas não sei como vou pagar”, lamentou.

Segundo o relato do agricultor, a adutora atualmente atende principalmente ao consumo doméstico, enquanto a falta de água dificulta a continuidade das atividades de plantio e criação.

Petróleo não pertence ao dono da terra

Apesar de o petróleo estar localizado no subsolo da propriedade, Sidrônio não se torna proprietário da jazida. Pela legislação brasileira, o petróleo e outras riquezas minerais do subsolo pertencem à União.

Caso a área seja efetivamente explorada e haja produção comercial, o proprietário do terreno poderá receber uma participação financeira prevista em lei, que pode chegar a até 1%, dependendo das condições da exploração.

Antes disso, porém, ainda será necessário determinar se existe uma reserva com tamanho e características que tornem a exploração economicamente viável.

A própria inclusão em um bloco exploratório também não garante que haverá atividade no local. Áreas disponibilizadas pela ANP podem não receber propostas de empresas por fatores como tamanho da ocorrência, custo de extração, dificuldade de instalação da estrutura ou qualidade do petróleo.

Venda da propriedade foi recusada

Mesmo diante das dificuldades financeiras, Sidrônio afirma que não pretende vender o sítio de 48 hectares.

O agricultor recebeu propostas pela propriedade antes mesmo da confirmação oficial de que o líquido encontrado era petróleo, mas decidiu não aceitar.

Agora, a expectativa é por uma definição mais rápida sobre os estudos da área para que ele possa voltar a planejar as atividades de plantio e criação no local.

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