Os indicadores da educação básica brasileira registraram melhora em 2025. Dados do Censo Escolar divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira (26) mostram que a taxa de abandono no ensino médio da rede pública caiu para 2,5%, o menor percentual desde o início da série histórica, em 2007.Na comparação com 2023, antes da implantação do programa Pé-de-Meia, a redução foi de 34%. Em relação a 2022, último ano da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a queda chega a 61,5%, período em que os efeitos da pandemia ainda impactavam fortemente a permanência dos estudantes nas escolas.
O abandono escolar ocorre quando o estudante deixa de frequentar as aulas durante o ano letivo. Já a evasão é caracterizada quando ele não retorna ao sistema de ensino no ano seguinte.
Segundo o MEC, também houve melhora nos índices do ensino fundamental. A taxa de abandono caiu para 0,2% nos anos iniciais e para 1% nos anos finais, mantendo a trajetória de redução observada nos últimos anos.
Os dados também apontam avanços nas taxas de aprovação. No ensino médio público, a reprovação passou de 5,7% em 2023 para 3,2% em 2025, uma redução de 44%. Nos anos finais do ensino fundamental, a queda foi ainda mais expressiva, de 67%, passando de 5,4% para 3,3% no mesmo período.
Outro indicador que apresentou melhora foi a distorção idade-série, que mede o percentual de alunos com dois ou mais anos de atraso escolar. O índice recuou de 24,3% em 2022 para 17,6% no ano passado.
Apesar dos resultados positivos, especialistas destacam que ainda não é possível atribuir toda a melhora ao programa Pé-de-Meia. As taxas de abandono já vinham apresentando tendência de queda nos últimos anos e uma relação direta entre a política pública e os indicadores depende de estudos mais aprofundados.
Mesmo assim, o Ministério da Educação considera o programa um dos principais responsáveis pelos avanços registrados. Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que os resultados refletem um conjunto de ações adotadas pelo governo federal, entre elas a ampliação das matrículas em tempo integral, o aumento dos investimentos em educação, o fortalecimento dos programas de alimentação e transporte escolar e uma maior articulação com estados e municípios.
"O Pé-de-Meia é o carro-chefe dessa política", afirmou o ministro.
Atualmente, cerca de oito em cada dez estudantes do ensino médio estão matriculados nas redes estaduais de ensino.
Levantamento do Anuário Estatístico da Educação Básica mostra ainda que, em 2024, 92,1% dos jovens de 15 a 17 anos estavam na escola. No entanto, apenas 82,8% cursavam efetivamente o ensino médio, enquanto os demais permaneciam no ensino fundamental devido ao atraso escolar.
Ideb pode ser beneficiado
A redução das taxas de reprovação também pode influenciar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado a cada dois anos para o 5º e 9º anos do ensino fundamental e para o 3º ano do ensino médio.
O indicador considera tanto o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais quanto as taxas de aprovação. Com menos alunos retidos, o índice tende a apresentar melhor desempenho.
Em 2025, por exemplo, a reprovação foi de 4,2% no 6º ano do ensino fundamental, caiu para 3,9% no 7º ano, 3% no 8º ano e chegou a apenas 2% no 9º ano.
Criado em 2024, o Pé-de-Meia concede bolsas mensais e depósitos em uma poupança para estudantes do ensino médio da rede pública. Os recursos acumulados podem ser sacados ao fim de cada ano letivo, e há ainda um incentivo adicional para quem participa do Enem.
Inicialmente voltado a estudantes beneficiários do Bolsa Família, o programa foi posteriormente ampliado para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
O custo anual da iniciativa gira em torno de R$ 12 bilhões. Após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), as despesas passaram a integrar oficialmente o orçamento do MEC, o que aumentou a pressão sobre as contas da pasta.
Hoje, o programa consome aproximadamente dois terços do orçamento discricionário do ministério, reduzindo a disponibilidade de recursos para outras políticas educacionais, como alfabetização e expansão do ensino em tempo integral.
* COM INFORMAÇÕES DA FOLHA DE SÃO PAULO
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