Artigos Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 18:50 - A | A

Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 18h:50 - A | A

Um casamento feliz

Se você é um xarope pense em mudar. Seu relacionamento vai agradecer. No futuro, você vai ver que valeu a pena abrir mão de seus pequenos sonhos. Quando este momento chegar você vai perceber que a dois vocês construíram sonhos ainda maiores

LUIZ FERNANDO FERNANDES

Divulgação

Muitos já discorreram sobre o casamento. Feras da escrita como Artur da Távola e Arnaldo Jabor, entre outros. Quero aqui deixar minha contribuição, sabendo, é claro, que quando o assunto é casamento não existe uma fórmula, tampouco uma forma de fazer desta união algo duradouro e feliz.

Qual seria a receita para manter unidas duas pessoas que cresceram em ambientes diferentes, que tiveram criações diferentes, que muitas vezes vieram de classes sociais diferentes e invariavelmente pensam diferente.

O problema esta no inicio do relacionamento. Vivendo em casas separadas os dois se preparam ao máximo para um encontro. Um ritual que conta com banho, enxaguante bucal, fio dental e escovação. Perfume da moda, roupas bem passadas e cabelo impecável. Sapato brilhando, carro limpo e perfumado e pronto lá estão os dois pombinhos, prontos para mais um encontro regado a amor e romantismo. Vale lembrar que nesta fase a academia de ginástica é um acessório que não pode ser esquecido.

A paixão dita o tom da conjunção. Nesta fase imaculados e perfeitos seres se relacionam num mundo habitado apenas e tão somente pela perfeição. Mas, existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem os arroubos da paixão. Uma pesquisa realizada na Universidade Cornell de Nova Iorque mostrou que os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses. 5.000 pessoas de 37 culturas diferentes foram entrevistadas e o estudo mostrou que este tempo é longo o suficiente para que o casal se conheça, copule e produza uma criança.

Então vá com calma, por que invariavelmente os pequenos defeitos do parceiro ou da parceira só vão ficar imperceptíveis por no máximo dois anos e meio. Depois disso muita coisa vai mudar. Aquela pequena estria que não te incomodava vai saltar aos olhos. A barriga tanquinho vai ter desaparecido e no lugar uma bela cuba de tanque pode enojar a parceira. Neste ponto é preciso ter equilíbrio. Saber que a vida é assim mesmo, que o bombadão de hoje pode ser o obeso de amanhã, que a gatinha pode se transformar numa onça, enfim, na vida a dois a imprevisibilidade é a única certeza.
Amar as qualidades de alguém é uma tarefa simples, o duro é amar os defeitos. Num mundo cada vez mais individualista temos que ficar atentos às armadilhas do eu e começar a pensar um pouco no nós.

Num relacionamento o mais provável é você abrir mão dos seus desejos pessoais para construir um projeto a dois, se não for assim não funciona.

As viagens a dois de moto podem dar lugar ao carro tamanho família. As idas ao motel podem se transformar em idas ao pediatra, ao obstetra, ao ginecologista. O tempo fica curto, pois as necessidades de ambos acabam por impedir pequenos luxos, pequenos prazeres.

Quando a vida a dois começa de fato e de direito tudo muda. A academia pode até persistir por um tempo, mas basta a chegada do primeiro filho para que tudo mude. Como deixar o pequeno e se esbaldar entre pesos e esteiras, mãe que é mãe não consegue e o pai precisa ganhar mais dinheiro para dar conta do novo membro do clã, então esqueça a academia, pelo menos por um tempo. E por falar em filho geralmente numa gravidez a mulher engorda alguns quilos e pra perder leva tempo, as vezes não perde nada, ao contrario vai ficando cada vez mais fofinha, diga adeus às barrigas chapadas, bundas e peitos durinhos.

Se o relacionamento era pautado pela beleza, pela estética, tem tudo para naufragar entre fraldas, cabelos despenteados, mau humor, noites em claro, roupas mal passadas e pequenos detalhes impensados na época da paixão.

Neste momento meu caro amigo, minha cara amiga, entra em cena um outro ingrediente fundamental para a vida a dois, o amor. Se ele não existir não existe casamento. Mas apenas o amor não vai segurar a convivência. Não perca de vista sua história, sua família, seus amigos. A dependência do outro não vai fazer bem a ninguém, pelo contrario, alguém vai se anular e a tristeza provocada por esta situação invariavelmente vai levar a separação.

Como disse no inicio do texto não existe uma formula para o sucesso do casamento, mas casais que estão juntos à décadas falam em nunca ir para a cama brigados, sem conversar. Outros alertam para a importância de se respeitar opiniões, gostos e comportamentos.

Recentemente no casamento de minha filha mais velha o padre contou uma história interessante. O cara se casou e a esposa tinha terríveis acessos de tosse. Milagrosamente um mês depois do enlace os acessos de tosse cessaram. Um dia numa reunião ele contou o acontecido e logo os amigos resolveram o enigma. A tosse parou por que ela estava casada com um xarope.

Se você é um xarope pense em mudar. Seu relacionamento vai agradecer. No futuro, você vai ver que valeu a pena abrir mão de seus pequenos sonhos. Quando este momento chegar você vai perceber que a dois vocês construíram sonhos ainda maiores. Este é segredo do casamento, construir uma bela história a partir do improvável. Se reinventar sempre até formar um exemplar totalmente novo e até então inimaginável. Se completar nos defeitos e nas virtudes do outro. Saber que sempre terá um lugar para voltar, um lugar onde o milagre da vida se confirma a cada dia. É desejar morrer para ver a vida nos olhos do outro. É compartilhar gostos, emoções e momentos. É ajudar o outro a viver a vida e ser ajudado na mesma proporção. É saber que por mais escura que seja a noite você nunca estará só.

(*) LUIZ FERNANDO FERNANDES é jornalista em Mato Grosso e colaborador de Hipernoticias. E-mail: luiz_f2003@hotmail.com  - Blog: http://www.luizfernandofernandes.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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