Sexta-feira, 10 de Abril de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Sábado, 09 de Março de 2013, 10:00 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Sábado, 09 de Março de 2013, 10h:00 - A | A

Seu nome era Ana Maria

Em setembro de 1925 Ana Maria do Couto nasceu em Cuiabá e, ainda na infância, recebeu o apelido de May (pronuncia-se Maí). O apelido foi lhe dado pelo irmão mais velho que, ainda muito pequeno, não conseguia pronunciar o nome da irmã e o encurtou ...

TELMA CENIRA COUTO

Divulgação


Em setembro de 1925 Ana Maria do Couto nasceu em Cuiabá e, ainda  na infância, recebeu o apelido de May (pronuncia-se Maí).  O apelido foi lhe dado pelo irmão mais velho que,  ainda muito pequeno, não conseguia pronunciar o  nome da irmã e o encurtou para “Maí”,  ao tentar pronunciar Maria. Os pais acharam divertida a maneira como o irmão a chamava e para os  familiares e amigos a  Ana Maria  “desapareceu” e surgiu a  May.  A Ana Maria só “aparecia” em ocasiões formais.

May do Couto viveu à frente de sua época. Dona de um sorriso cativante que parecia - a meu ver-  iluminado pelos seus expressivos olhos esverdeados,  May  foi, antes de tudo, uma pessoa autêntica. Sua marca registrada era o seu imenso carisma; a sua energia interna agigantava o seu corpo, moldado por atividades físicas. Em 1945, ao começar as suas atividades profissionais no estado, ousou usar “shorts” para ministrar  aulas de educação física, sem se importar com o preconceito da época. Ela não se incomodava com  as convenções estabelecidas e tornou-se um marco das mulheres mato-grossenses  independentes,  já nos idos anos de 1945.

A cuiabana Ana Maria do Couto tornou-se campeã  carioca de arremesso de disco em 1944  defendendo as cores do Fluminense Football  Club do Rio de Janeiro. Ana Maria  foi a primeira esportista mato-grossense a vencer uma competição fora do seu estado. No auge da forma física, no começo de 1945  ela retornou  à  Cuiabá com o diploma do curso de Educação Física obtido na Universidade Federal  do Rio de Janeiro e abandonou o atletismo. Seu senso de dever foi mais forte do que qualquer sonho de glória no esporte.  O prazo de sua bolsa de estudo acabara, e ela não aceitou o convite para continuar na antiga capital federal : o amor à sua terra e à sua família falou mais alto.  Em Mato Grosso tornou-se professora de Educação Física. Foi a primeira professora de Educação Física concursada no estado.

Em 1951 May participou de um curso de extensão universitária em História, no Rio de Janeiro, e ainda  nesse ano, formou-se em contabilidade  na Escola Técnica de Comércio de Cuiabá.

Nos início dos anos 50  ela começou a se  dedicar à comunicação.  Foi a primeira locutora de notícias de Mato Grosso, em 1952. Em 1969 ela tornou-se apresentadora de um programa de televisão, e, em 1970, foi registrada como jornalista autônoma.

Em 1962 foi eleita vereadora pelo PTB em Cuiabá, e ainda nesse ano colou grau  em Ciências Jurídicas e Sociais com a primeira turma da Faculdade de Direito de Mato Grosso. Em 1965, tornou-se a primeira mulher a assumir a Presidência da Câmara Municipal de Cuiabá.  E em 1967, tornou-se Promotora da Auditoria da Polícia Militar de Mato Grosso.

Provavelmente, Ana Maria do Couto foi a primeira mulher no Brasil a ser presidente de um clube ligado ao futebol.  Em 1971 ela foi eleita Presidente do Clube Esportivo  Dom Bosco. Com a piora da sua enfermidade ela teve que se afastar da presidência seis meses depois. Um mês após ter completado 46 anos e já bastante debilitada com o câncer que a acometera três anos antes, May partiu para a eternidade. Aos que não presenciaram: a bandeira azul e branca do Dom Bosco foi colocada sobre o seu esquife para homenagear a ex-presidente  do clube e ex-presidente do seu  Conselho Deliberativo. Eu estava lá. Eu vi.

 Mais de 40 anos se passaram desde o dia em que o seu sorriso cessou para sempre, mas, para os que a conheceram,  Ana Maria é inesquecível.

PS: Agradeço a todas as  pessoas que já escreveram sobre a tia May, principalmente  a aquelas a quem não tive a oportunidade de fazê-lo. Seus textos serviram de inspiração na elaboração deste.  Às pessoas que, de uma forma ou outra, a homenagearam, muito obrigada. Minha dívida  para com vocês é eterna.

(*) TELMA CENIRA COUTO DA SILVA é doutora em Astronomia.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Galeria de Fotos

Comente esta notícia

Amaro Amador 09/03/2013

Excelente artigo por trazer à luz uma mulher excepcional escondida pelo fog machista e reacionário de Cuiabá.

positivo
0
negativo
0

1 comentários

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros