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Artigos Sexta-feira, 03 de Julho de 2026, 09:31 - A | A

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Sexta-feira, 03 de Julho de 2026, 09h:31 - A | A

RODRIGO DE ARRUDA

Quem sustenta Cuiabá?

RODRIGO DE ARRUDA E SÁ

Toda vez que se discute o futuro de Cuiabá, a atenção costuma se voltar para o poder público. Debatemos obras, arrecadação, programas de governo e decisões administrativas. Raramente, porém, fazemos a pergunta mais importante: quem sustenta, de fato, a economia da cidade todos os dias?

A resposta está longe dos gabinetes. Ela pode ser encontrada nas portas que se abrem todas as manhãs, nas pequenas empresas que atendem seus clientes, nos profissionais liberais, nos comerciantes, nos prestadores de serviço e nos milhares de trabalhadores que fazem a economia girar. São eles que geram empregos, pagam impostos e produzem a riqueza que financia a própria máquina pública.

Como contador e empresário, acompanho diariamente a realidade de quem empreende. Sei o quanto é difícil manter uma empresa funcionando em um ambiente marcado por alta carga tributária, burocracia e custos crescentes. Ainda assim, milhares de cuiabanos continuam acreditando na cidade, investindo seu patrimônio, assumindo riscos e criando oportunidades para outras pessoas.

É justamente por isso que o planejamento urbano não pode ser tratado como um detalhe administrativo. Toda decisão do poder público repercute diretamente na atividade econômica. Quando uma obra é mal planejada, quando uma via permanece interditada por meses ou quando não existe previsibilidade sobre o andamento de intervenções, quem paga essa conta é o empreendedor, que vê seus clientes desaparecerem e seu faturamento diminuir.

Cuiabá conhece bem essa realidade. Desde o início das obras relacionadas à Copa do Mundo de 2014, a cidade convive com sucessivas intervenções viárias, mudanças de projetos e promessas que nunca se concretizaram plenamente. O VLT ficou inacabado, foi substituído pelo BRT e, mais de uma década depois, continuamos convivendo com impactos que afetam diretamente moradores e empresas.

Ao longo desse período, muitos pequenos negócios não conseguiram sobreviver. Outros resistiram com enorme sacrifício, reduzindo equipes, renegociando dívidas e reinventando suas formas de atendimento.

Levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá mostrou que, nas regiões afetadas pelas obras do BRT, 90% dos empresários relataram impactos negativos, 87% registraram queda no faturamento e 83% perceberam redução no fluxo de clientes. Em média, as vendas diminuíram 36%, um retrato eloquente do custo econômico da falta de planejamento.

Esses números representam muito mais do que estatísticas. Atrás de cada empresa existe uma família, funcionários, fornecedores e consumidores. Quando um pequeno negócio fecha suas portas, a cidade perde arrecadação, empregos, investimentos e, principalmente, confiança no futuro.

É importante compreender que desenvolvimento não depende apenas de grandes obras. Depende de previsibilidade, segurança jurídica e respeito ao contribuinte. O empresário consegue enfrentar a concorrência e até momentos de retração econômica, mas dificilmente suporta a incerteza permanente provocada por decisões mal planejadas.

Cuiabá possui uma economia dinâmica e um ambiente empresarial formado, em sua maioria, por pequenos negócios, responsáveis por parcela significativa da geração de emprego e renda na capital.

Fortalecer esse segmento não significa favorecer uma categoria específica; significa fortalecer toda a cidade, pois é dessa atividade econômica que surgem oportunidades, inovação e arrecadação para financiar os serviços públicos.

Precisamos abandonar a ideia de que desenvolvimento é responsabilidade exclusiva do Estado. O papel do poder público é criar condições para que quem produz possa trabalhar, investir e crescer. Quando a administração compreende essa missão, toda a sociedade é beneficiada.

Cuiabá tem todas as condições para se tornar uma cidade mais próspera. Mas isso exige uma mudança de perspectiva. Antes de pensar em novas promessas, precisamos cuidar daqueles que, todos os dias, sustentam silenciosamente a economia da capital. Respeitar quem produz riqueza não é apenas uma política econômica inteligente; é um compromisso com o futuro de Cuiabá.

(*) RODRIGO DE ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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