Artigos Sábado, 18 de Junho de 2011, 23:42 - A | A

Sábado, 18 de Junho de 2011, 23h:42 - A | A

PT, esse sabe ser oposição

Quanto mais oposição, ainda que agressiva e raivosa, como a que o PT fazia, é melhor para a população do que esse ambiente de leniência e comodismo como se comporta a parcela da classe política, escalada que foi pelo povo nas urnas para ficar de fora do

MÁRIO MARQUES
mario@paginaunica.com.br

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Muito já se disse, mas não custa repetir: sem oposição a democracia não funciona, fica capenga. E mais erra do que acerta. Sem a presença de forças oposicionistas atuantes e convictas a incompetência gerencial campeia solta e, pior, a corrupção toma conta e assume níveis alarmantes – justamente pela ausência de denúncias, cobranças e fiscalização constantes. Parece até desnecessário fazer essas observações, por óbvias que são. Mas, no caso brasileiro, a ressalva é oportuna.

Por aqui, não adianta deixar raposa tomando conta do galinheiro... É preciso oposição dura, o que o então presidente Lula (e agora, Dilma) não teve em seus oito anos de mandato. Caso ele tivesse, provavelmente muitos dos escândalos que abalaram seu governo, não teriam ocorrido. Ao menos na intensidade como aconteceram e com os danos conseqüentes aos cofres públicos. A exemplo do famigerado Mensalão.

Tenho, para mim, que se não fora a oposição ferrenha, raivosa até, que Lula e seus comandados fizeram nos dois mandatos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo do tucano, muito possivelmente, não teria conseguido os grandes avanços econômico-financeiros e de modernização da gestão pública que o Brasil conseguiu. Falo do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), proposta por FHC e aprovada pelo Congresso Nacional.

Com relação à LRF, essa lei tenta impor o controle dos gastos governamentais condicionado à capacidade de arrecadação de tributos. Seu grande mérito é por impedir que gestores, em fim de mandato ou em busca de reeleição, promovam o lançamento de obras de grande porte, muitas faraônicas, algumas desnecessárias, deixando-as inconclusas, na maioria das vezes, e a conta para seus sucessores. Descalabro que era comum antes da sua aprovação - possível graças ao empenho pessoal de FHC junto aos deputados federais e senadores da época.

Já com referência ao Plano Real, descrever os bons resultados que o país auferiu é desnecessário, pois foi a partir dele que as classes marginalizadas economicamente, conseguiram aumentar suas rendas e ingressarem no mercado capitalista de consumo – o que antes era um sonho inatingível.

Então, Lula não teve mérito nessa história?, pode argumentar algum leitor. Respondo: teve. Porém, seus méritos foram maiores quando era oposição a Fernando Henrique Cardoso do que como sucessor deste. Como opositor do tucano, Lula fez tudo para criticar e desmerecer os conceitos que fundamentavam o Plano Real, e a dedução que faço é de que esses ataques petistas levaram FHC e os economistas que o assessoravam a traçar diretrizes mais cuidadosas para não deixar “furos” no Plano do qual a oposição poderia se aproveitar para dizer que estava certa em seus questionamentos.

Resumindo: quanto mais oposição, ainda que agressiva e raivosa, como a que o PT fazia, é melhor para a população do que esse ambiente de leniência e comodismo como se comporta a parcela da classe política, escalada que foi pelo povo nas urnas para ficar de fora do governo. E não cumpre com seu papel institucional e histórico.

Acorda, PSDB, DEM e quejandos! O PT já mostrou o caminho.

(*) MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista e diretor do jornal/siet Página Única. www.paginaunica.com.br. E-mail: mario@paginaunica.com.br

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