| Divulgação |
![]() |
Só mesmo quem trafega pela cidade no cotidiano de trabalho, cumprindo horário em seus compromissos e/ou ainda levando e buscando a família, vai me entender. Posso afirmar então que muita gente vai me entender, pois são poucos os que não têm essa rotina.
No dia-a-dia não podemos ir e voltar de helicóptero, como fez o ator sorriso da campanha “Tempo de Obras” patrocinada pelo governo do estado. Ali ele gasta todo seu lado Pollyanna invocando os munícipes a jogar com ele o jogo do contente. Tudo errado. Ele deveria ter ido de carro como nós - les misérables. Ainda assim seria possível manter o filme em um minuto pela facilidade da edição de imagens. Mas ele foi por cima.
Vendo as cenas, o lenitivo, a mim, não funcionou bem: posso comparar ao consolo oferecido por uma pessoa sentada num banquete a outra faminta olhando lá do lado de fora, pelo vidro. “Tenha paciência, a fome é assim mesmo, incomoda.” E continua a comer sossegado.
Por que tenho sempre essa impressão, de que estão mofando com a nossa cara diante de tudo que estamos passando nesta cidade em estado de calamidade, se acabando em buracos de todas as dimensões, desviados de nossos caminhos, gastando mais combustível e quebrando a suspensão do carro, saindo mais cedo ainda de casa se quisermos chegar a algum lugar? Sabe Deus o que é aquele trevo do Santa Izabel? Passei por lá e vi o Haiti pós-terremoto.
Evidentemente para muitos existem outros prejuízos além destes – destaquemos o comércio nos locais de obras, nos desvios estragados e entorno. Sequer benefícios fiscais serão concedidos aos afetados, como já foi declarado pela SEFAZ/MT. Que se virem. E aqueles que já não estão bons das pernas são os primeiros a cair, tendo qualquer chance de recuperação eliminada – caso de uma filial de grande rede de supermercados com orgulho de ser “genuinamente mato-grossense”. A curto e médio prazo a calamidade abre ensejo a um baque econômico na capital.
As desapropriações são outro capítulo, à parte. Pagamentos abaixo de valores de mercado estão entre as reclamações. E onde isso tudo vai parar? No judiciário, em dúzias de contendas. Entretanto, o ator global com cara de sulista está confiante, afinal ele não mora aqui. Só fez um passeio de helicóptero e foi embora. Ok, eu sei que não preciso falar demais. Você aí, lendo, sabe muito bem do que estou falando, é coadjuvante neste cenário.
Os mais desinformados, qualquer um com curta percepção do todo ou mesmo o mal intencionado pode dizer que “sou contra o progresso” ou “estou contra Cuiabá”. Tanto sou a favor que acompanho os fatos e não me esqueço deles. Em 2007 o Brasil já era sede da Copa 2014. Em maio de 2009 Cuiabá já era sede. Em 2010, houve eleições para o divino governo responsável pelos preparativos. Em 2011 foi criada a extinta AGECOPA no intuito de centralizar as providências e foi só trapalhada. Quem se esqueceu das 10 Land Rovers, do cronômetro milionário de contagem regressiva ou dos tapas e beijos em busca de um lugarzinho na agência? Nessa hora eu sinto o limiar tênue entre o riso e o choro, pois não sei se é caso de um ou de outro.
Chegou 2012 e concluímos que nossos representantes e seus delegados estavam ocupados demais até então e quando a água bateu no traseiro alguém teve a brilhante idéia: vamos interditar, furar e rasgar toda a cidade! Tudo junto e misturado numa só tacada. Enquanto isso, Assembleia e Câmara contemplam. TCE elabora relatórios. FIFA faz cara de parede. Nós, pagadores da conta, agonizamos.
É bom lembrar que apesar de 2014 ser ano de jogos mundiais de futebol, nem por isso deixamos de levar nossos filhos à escola, deixamos de bater ponto no serviço, deixamos de pagar luz, água, impostos e taxas, deixamos tampouco de abastecer o carro a R$ 3,00 o litro da gasolina para poder fazer tudo isso, entre outras dezenas de afazeres importantes, como votar no próximo governo que receberá a ressaca da festa. Obras inacabadas em todo o estado, estradas esquecidas, investimentos em saúde ou segurança abandonados, contratos milionários não cumpridos pelas empreiteiras. Dívidas e rombos financeiros já levantados desde agora em empréstimos junto a CEF e BNDES, ultrapassando 1,5 bilhão de reais.
Desnecessário a Copa do Mundo acontecer e Cuiabá sediar quatro jogos para que obras tão importantes e imprescindíveis fossem realizadas. Essas obras tinham que ser feitas de qualquer maneira, há muito tempo e poderiam vir aos poucos, com baixo ou médio impacto no cidadão.
Porém, teremos um 2015 de cinzas, com a casa toda para reorganizar após todo o entusiasmo vivido desde 2009, quando “vencemos” Campo Grande na disputa das cidades-sede.
Mais que torcer no futebol, torça para que outro ator venha novamente em 2015 e voe novamente por sobre nossa cidade mostrando que tudo deu certo, que estamos como ele trafegando normalmente em nossas ruas, trincheiras e viadutos.
(*) CHRISTIANE BATISTA é advogada e acadêmica de Letras da UFMT. E-mail: [email protected]
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









Adeliana 28/02/2013
Tudo muito certo. Só quem está abraçando o capeta no dia de trânsito dentro do onibus parado pode dizer. quem tá no ar condicionado de paletó indo pra fazenda de avião acha mesmo que tá tudo muito certo, seu jose aparecido.
João Cuiabano, 27/02/2013
Parabéns Christiane, voce foi muito feliz em suas colocações, eu concordo plenamente com vc, como vc lembrou criaram a tal Agecopa que só serviu de cabide de político derrotado nas urnas. O Pessoal dessa Agecopa dava entrevista e mais entrevista dizendo que iriam realizar as obras desbloqueio, cito algumas anunciadas o Tunel que ligaria o bairro consil com arães passando por baixo da miguel sutil, Av. Barbado que ligaria a UFMT ao Shopping Pantanal, Av. Juliano Costa Marques que até hoje não entregaram porque a obra foi uma merda e sim vai. Cadê não fizeram nada só ganharam dinheiro na Agecopa resultado quando começaram efetivamente as obras de mobilidade urbana os gestores jogaram o transito dentro dos bairros sem nenhuma condição de receber tantos carros, a exemplo do Bosque da Sáude tanto o I Quanto o II e aí virou um verdadeiro inferno.Portanto, o povo tem que apreender a votar ano que vem tem eleições. Voto não tem preço tem consequências vejam o que estamos passando o povo em vices olha a prefeitura do Galindo e Estado com Silval nós não merecemos tanto descaso assim.
Sérgio 27/02/2013
José Aparecido, leia novamente o texto! Ela escreveu: "Os mais desinformados, qualquer um com curta percepção do todo ou mesmo o mal intencionado pode dizer que “sou contra o progresso” ou “estou contra Cuiabá”. Tanto sou a favor que acompanho os fatos e não me esqueço deles. Em 2007 o Brasil já era sede da Copa 2014. Em maio de 2009 Cuiabá já era sede. Em 2010, houve eleições para o divino governo responsável pelos preparativos. Em 2011 foi criada a extinta AGECOPA no intuito de centralizar as providências e foi só trapalhada". A autora do texto não é contra as obras, mas apenas contra a bagunça, falta de planejamento, corrupção e buraqueira nas ruas da cidade, entre outras coisas. Como ela bem lembrou, Cuiabá foi escolhida sede em 2009! Esse caos poderia ser evitado...
Gustavo de Lima 27/02/2013
Pelo título, pensei que era um texto sobre sexo.
José Aparecido 27/02/2013
Como pode uma pessoa ter a coragem de passar tanto pessimismo as outras pessoas,td o que esta acontecendo vai melhorar muito cuiaba,quero ver se vai escrever tambem se td der certo
5 comentários