A violência de gênero do homem contra a mulher é uma das violências mais persistentes, normalizadas, difundidas e devastadoras dentre as existentes!
A certeza da impunidade do agressor e o medo do estigma que conduz a vítima ao silêncio são fatores determinantes para a sua manutenção.
Falar de violência é incômodo para a maioria! Vivê-la, então, é coisa que não se deve pensar!
Hoje é dia seis de dezembro de dois mil e vinte e um!
Por volta das dez da manhã caíam, sobre nós, pétalas de rosas, as quais eram lançadas de um helicóptero que sobreoava um dos eventos mais singelos e bonitos dentre os quais tive a honra de participar!
Para além das pétalas que caíam do céu como chuva alegrando o nosso dia, haviam lágrimas de alegria, gratidão, esperança e honradez, que percorriam os rostos de um pai e de uma tia acostumados a ocuparem espaços de destaque pelas suas competências, diante da presença e das palavras da maior autoridade ali presente: a menina Amini Haddad!
Foi um dia corrido!
Tendo sido chamada logo após o evento para uma entrevista, fui questionada: “Considerando os níveis alarmantes de violência contra mulheres e meninas, e o seu aumento que se dá na contramão dos objetivos das políticas públicas que se estabelecem, o que mais falta para que esse 'BASTA' que buscamos tanto finalmente chegue?”. EDUCAÇÃO!, respondi assim, bem simples mesmo!
A menina Amini, a quem me refiro, é uma criança que, juntamente com Ricardo, Ana e Sophia, idealizou um projeto que se tornou a Lei 14.164/2021, que institui a Semana Escolar de Combate à Violência contra Crianças, Adolescentes e Mulheres, e inclui conteúdo sobre o tema nos currículos da educação básica.
Sem qualquer pretensão, essa menina não só se fez ouvir como deu voz a todas as outras crianças que dentro de si, acreditam no seu protagonismo para o alcance de um mundo melhor!
No dia 06 de dezembro do ano de 1.989, em Montreal, Canadá, um rapaz adentrava numa escola politécnica, ordenava que todos os homens saíssem, e assassinava 14 (quatorze) jovens mulheres, alunas de engenharia! Segundo consta, para Marc Lé Pine era demais mulheres no seu espaço de homem!
A tragédia de Montreal deu origem ao dia de Mobilização dos Homens pelo fim da violência contra as mulheres, a Campanha do Laço Branco, que hoje se faz presente em mais de 55 países, sendo apontada pela ONU como a maior iniciativa mundial voltada para o envolvimento de homens com a temática da violência contra a mulher.
Sendo o machismo o comportamento que rejeita a igualdade de condições sociais e direitos entre homens e mulheres, resultante de uma sociedade estruturada a partir da supremacia do masculino sobre o feminino, tenho para mim que é na simplicidade que a beleza da vida e a força que nos move se mostra: nesse dia que se encerra, guardo com carinho, a lembrança de um auditório atendo e silente, diante de uma menina que delicada nos gestos, gentil nas palavras, e alegre em ver-se no carinho daqueles que ama, sem qualquer pretensão, se agigantou diante de nós, que a ela prestamos deferência!
Por mais pueril que pareça, é a educação a maior dentre todas as ferramentas para a erradicação da violência de gênero do homem contra a mulher!
E é o silêncio que se faz ante a grandeza das crianças que se lançam para tornarem, a seu modo, concretas as nossas teorias e palavras, que valida a minha crença!
Foi um dia corrido, verdade, mas foi também, um dia feliz!
(*) BÁRBARA LENZA LANA - Advogada Para Mulheres - Líder do Comitê de Combate à Violência Contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil- Núcleo Cuiabá.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










