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Artigos Sexta-feira, 25 de Julho de 2014, 08:41 - A | A

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014, 08h:41 - A | A

Os narcotraficantes migraram da Colômbia para o Mercosul

São inúmeros os relatos de assassinatos por vingança e sequestro entre os cartéis e que acontecem em território Argentino

ADRIANO PERALTA


Divulgação

Nas décadas de 70,80 e 90 a Colômbia dominava o tráfico mundial de entorpecentes. Dois grandes cartéis disputavam esse mercado, o de Medellín e o de Cali, que posteriormente foram perdendo espaço para os grupos de paramilitares FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) e para o Cartel do Norte do Vale.


Pablo Emílio Escobar Gavíria foi o maior traficante da história da humanidade, controlou o Cartel de Medellín até ser assassinado em 02/12/1993; considerado pela Forbes o 7º homem mais rico do mundo, chegou a controlar 80% do tráfico de drogas mundial. Na sua história de atrocidades consta o assassinato de 3 candidatos à presidência da Colômbia, diversos juízes e as vítimas da explosão do vôo 203 da Avianca. Controlava as autoridades com o lema “dinheiro ou chumbo”, ou seja, quem não se corrompia morria. Certa vez sua filha lhe pediu um unicórnio de presente de aniversário e ele mandou “fabricar” implantando um chifre bovino em um cavalo de raça que morreu poucos dias após a cirurgia. Apaixonado por futebol, era o padrinho do Atlético Nacional de Medellín; nos anos 80 o futebol colombiano pagava os melhores salários da América do Sul, graças aos traficantes. A viúva de Pablo Escobar, Victoria Eugênia mudou-se para Buenos Aires com os filhos Juan Pablo e Manuela, onde atuam como empresários imobiliários em Puerto Madero.

O Cartel de Cali foi fundado em 1970 por José Santacruz Londoño e os irmãos Gilberto e Miguel Rodríguez Orejuela. Londoño foi assassinado em 05/03/96 por ordem do Cartel do Norte do Vale. A rivalidade dos cartéis também era exercida no futebol, e os irmãos Rodríguez controlavam o América de Cali; em 1994 sequestraram a seleção colombiana quando treinava no estádio do América e foram levados a um sítio onde os jogadores receberam 25 mil dólares cada e tiveram que firmar o compromisso de apoiar o candidato Ernesto Samper à presidência da Colômbia. Na mesma Copa de 94 a Colômbia foi eliminada ao perder dos Estados Unidos por 2x1 com um gol contra do capitão Andrés Escobar, que foi assassinado dias após retornar ao país.

A história do futebol colombiano sempre foi intimamente ligada ao futebol argentino, com o intercâmbio de jogadores e treinadores, e há pouco tempo um dos filhos de Gilberto, Fernando Rodríguez Mondragon, confirmou o que a imprensa mundial já suspeitava: que a goleada de 6 x 0 contra o Peru e que classificou a Argentina na Copa de 78 foi comprada pelos narcotraficantes colombianos. No final de 2004 os irmãos Rodrigues Orejuela foram presos e extraditados para os Estados Unidos; em 2006 firmaram um acordo de delação e entrega de recursos onde repassaram centenas de milhões de dólares ao governo e cumprem pena de 30 anos de prisão. O filho de Miguel, Juan Miguel migrou definitivamente com a família para Buenos Aires no final de 2009, onde vive no bairro de Palermo.


Dissidente do Cartel de Cali, Juan Carlos Ramírez Abadia, o “Chupeta” tornou-se o dirigente máximo do Cartel do Norte do Vale e foi preso no Brasil, num condomínio fechado em Aldeia da Serra/SP, pela Polícia Federal em 07/08/2007 na “Operação Farrapos” e extraditado para os Estados Unidos em 22/08/2008; por ocasião de sua prisão era considerado o segundo homem mais procurado pelo FBI, ficando atrás apenas de Osama Bin Laden. O governo Americano o acusava de transportar drogas em pequenos submarinos e oferecia uma recompensa de 5 milhões de dólares pela sua captura.

Em 16/12/2004 a Colômbia foi aceita como estado associado do Mercosul, o que facilitou a vinda de diversos colombianos envolvidos com a mercância de drogas.

São inúmeros os relatos de assassinatos por vingança e sequestro entre os cartéis e que acontecem em território Argentino, como o assassinato de Héctor Edílson Duque Ceballos, o “Monoteto” ocorrido no Shopping Unicenter, na província de Buenos Aires no inverno de 2008. Monoteto teria sido o responsável pela perda de 470 quilos de cocaína e foi assassinado a mando de Carlos Mário Jiménez, o “Macaco”, líder das Autodefensas Unidas da Colômbia. O filho de Macaco, “Macaquito” encontrava-se em Buenos Aires na época do crime.

Em abril de 2011 foi preso no aeroporto de Ezeiza em Buenos Aires o colombiano Ignácio Alvarez Meyendorff, vulgo “Nacho” e que foi extraditado em 03/07/2013 para os Estados Unidos. Foi acusado de ser o encarregado de transportar cocaína do Cartel do Norte do Vale à Bélgica e aos Estados Unidos via Brasil e Argentina. Construtor de submarinos usados no tráfico, Meyendorff construiu um império de 700 milhões de narcodólares.

Atualmente, o quilo da cocaína pura em países produtores como Colômbia, Peru e Bolívia é cotado a 2 mil dólares, subindo para 6 mil dólares nas regiões fronteiriças do Brasil e Argentina, 8 mil na América Central, 25 mil nos Estados Unidos e 40 mil na Europa.

E assim, Brasil e Argentina vão se transformando nas novas capitais do tráfico mundial.


*ADRIANO PERALTA MORAES é delegado corregedor da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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