Sexta-feira, 10 de Abril de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Segunda-feira, 01 de Abril de 2013, 15:26 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Segunda-feira, 01 de Abril de 2013, 15h:26 - A | A

O negro no Brasil : Verdades inconvenientes

Segundo a teoria defendida por Dennis de Oliveira (2012), o Brasil tem uma forma de racismo marcada por ambivalências, à medida que a maioria da população admite a existência do racismo e o condena, mas também a maioria se assume como racista ...

JOEL MESQUITA

Divulgação


“Na primeira vez em que estive aqui, em 1987, fiquei chocado ao ver que na TV, em revistas, não havia negros. Melhorou um pouco. Mas há muito a fazer. Quem nunca veio ao Brasil e vê a TV brasileira via satélite vai pensar que todos os brasileiros são loiros de olhos azuis.” (Spike Lee)

A declaração do cineasta estadunidense é uma constatação da realidade brasileira; seria absurdo legitimar o discurso elitista de que no Brasil não há preconceito pela cor da pele das pessoas. Apesar de alguns teóricos brasileiros, como é o caso de Gilberto Freyre, ter defendido em sua obra Casa Grande e Senzala (1933) o mito da democracia racial, onde coexistiriam bons senhores e escravos submissos, a história e a realidade que se apresenta na contemporaneidade, nos levam a polemizar e conseqüentemente refutar qualquer teoria que defenda que aqui em solo brasileiro todas as classes, indistintamente de matriz européia ou africana sejam tratadas com igualdade de oportunidade por parte do Estado brasileiro.

Segundo a teoria defendida por Dennis de Oliveira (2012), o Brasil tem uma forma de racismo marcada por ambivalências, à medida que a maioria da população admite a existência do racismo e o condena, mas também a maioria se assume como racista. Isto se deve ao fato de que o racismo se perpetra contra um segmento social majoritário da população, o que dificulta a sua invisibilidade. Esse sentimento ambivalente está no fato de que não há uma relação de alteridade, pois o racista sempre é o outro; nunca se reconhece esse outro em si mesmo.

Há estudos que corroboram com teoria por hora aqui defendida, que de fato o racismo é presente no anfêmero do povo cordial. Aos negros no país, historicamente sempre fora imposto à pior parte; o chicote e o trabalho forçado. Na pós-escravidão, quem governava o país na época simplesmente os ignorou, abandonando populações inteiras de ex-escravos a própria sorte. Essa atitude irresponsável do Estado brasileiro em relação aos negros contribuiu para a disseminação de uma cultura de exclusão dessa parcela da população. A guetoização dos ex-escravos levou ao enraizamento da idéia do negro preguiçoso, violento e inapto a participar ativamente da tomada de decisões e do processo de desenvolvimento do país.

Quando analisamos os dados disponíveis no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não sobram dúvidas quanto aos sofrimentos e descasos que ainda em pleno século XXI são reservados as populações de matriz africana no Brasil. Segundo o IBGE, negros e pardos recebem menores salários em relação aos brancos; no geral permanecem menos tempo na escola; são as maiores vítimas de homicídio; lideram o ranking de pessoas desempregadas; é algo em torno de 46% da população brasileira, mas correspondem a 66% do percentual de pobres; mortalidade materna é maior entre as mulheres negras, sendo que metade dos óbitos devido a aborto é por aborto espontâneo. Ora diante de tantas problemáticas que evidenciam a existência da disparidade econômico-socio-educacional entre brancos e pretos, torna-se evidente a existência do preconceito racial. Vergonhosamente só agora no mês de março/2013 foi reconhecida através de uma PEC a igualdade trabalhista dos prestadores de serviços domésticos na tentativa de corrigir resquícios da época da escravidão.

O efeito perverso do desprezo em relação aos negros, por parte do estado Brasileiro, contribuiu para a perpetuação de diversas desigualdades de oportunidades ao longo dos anos. Como já fora abordado, podemos afirmar no que diz respeito à moradia, educação, serviços de saúde, segurança pública, entre tantos outros dissabores os negros estão mais propensos a sofrerem as conseqüências da omissão dos poderes constituídos.

Quem é que nunca escutou ou até mesmo utilizou da expressão “é negra” ou “é um negro limpo” ou “é negro, porém trabalhador ou inteligente”. Ora, por acaso onde está escrito que o fato de ter o tom de pele escura faz com que a pessoa não seja asseada ou inábil ao trabalho ou estudos; isso é um tipo de opressão que precisa ser banida do modo de ser e agir das pessoas em relação às populações de matriz africana; a sociedade brasileira precisa se modernizar em relação à sua composição não homogênea quanto ao quesito cor. Não podemos esquecer que o Brasil é uma colcha de retalhos com remendos mal costurados propositalmente objetivando a manutenção de algumas desigualdades sociais.

Eu sempre digo que nos EUA avançaram-se muito mais em relação às políticas do governo voltadas para os afro-americanos. Lá apenas 15% da população é negra, entretanto quando realizamos uma análise comparativa, percebemos que a comunidade negra norte-americana, mesmo com todo ódio não disfarçado nos estados sulistas daquele país, lutaram contra a discriminação racial e pelos direitos civis dos negros através de Mather Luther King e conseguiram conquistas relevantes ao longo dos anos.

Nesse diapasão reconhecemos que é temeroso rasgar o verbo e dizer “verdades”, quiçá não absolutas. Mas cá entre nós essa é a dura realidade. Diferentemente da teoria defendida por FREYRE (1933) tudo que não temos aqui é integração. Talvez haja uma integração relativa, mas não absoluta. Não podemos pensar que o fato do povo se misturar nas festanças de rua, nas rodas de samba, nos estádios de futebol etc. que isso é sinônimo de igualdade; na verdade esse é o disfarce; essas festas populares é o anestésico que paralisa uma possível agudização das problemáticas sociais que atingem as populações de origem africana.

O racismo no Brasil é evidente e precisamos combatê-lo, por mais que haja um estranhamento quando nos propomos a discutir a problemática, torna-se necessário reconhecer que não há a tal democracia racial tanto ostentada por nossas instituições, e que vergonhosamente temos uma divida corrigível com as populações remanescentes da escravidão.

(*) JOEL MESQUITA é Cientista Social e Escrivão de Polícia.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Galeria de Fotos

Comente esta notícia

RONEI DUARTE 03/04/2013

O racismo brasileiro é sub-reptício covarde e canalha!

positivo
0
negativo
0

Marcelo 02/04/2013

Felizmente a nossa geração já está em sua fase final, mas sem educação de qualidade as coisas continuarão na mesma, por exemplo a Monike não sabe reconhecer se o fato de milhares de pessoas terem saído da linha de miséria pelo "bolsa família" representa algo bom ou ruim. Há quem pense também que a abolição da escravatura foi um mal negócio para os negros. O preconceito existe e sempre existirá enquanto a ignorância existir nas pessoas.

positivo
0
negativo
0

Joel Mesquita 02/04/2013

Negros tendem a fracasso escolar, indica pesquisa Duas pesquisas da Universidade de São Paulo indicam que alunos negros têm maior possibilidade de fracassar na escola do que os brancos. Para os pesquisadores, o menor êxito dos negros é resultado de condições socioeconômicas. Contribuem também fatores culturais. Um deles é o preconceito desenvolvido por professores. Pequena parte deles acredita que os alunos negros terão, naturalmente, desempenho pior do que os brancos. O conjunto de fatores determina que, quando os estudantes chegam ao 6º ano do ensino fundamental, 7% dos alunos brancos tenham mais de dois anos de atraso escolar, e entre os negros, o indicador chega a 14%. Os números são apresentados no artigo Fracasso Escolar e Desigualdade do Ensino Fundamental da pesquisadora Paula Louzano, publicado no relatório De Olho nas Metas de 2012, lançado pelo movimento Todos pela Educação. O artigo é baseado no questionário socieconômico da Prova Brasil 2011, aplicada nacionalmente e respondido por 2,3 milhões de alunos do 5º ano. Dos alunos que responderam à questão de reprovação ou abandono da escola, um terço havia passado pela situação de insucesso na escola. Desses, 43% se autodeclararam pretos, 34% pardos e 27% brancos, segundo a denominação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Paula Louzano afirma que os números gerais são alarmantes e o cenário se agrava mais para alguns grupos sociais. “A chance de isso (repetência ou abandono) acontecer não é distribuída igualmente entre grupos. Alguns tem processos mais tortuosos, o que está ligado também ao nível socioeconômico. A desigualdade que marca o Brasil se reproduz no sistema de educação”, diz a pesquisadora. No Norte e no Nordeste, a probabilidade de um aluno preto repetir o ano ou abandonar a escola é respectivamente 53% e 52%. Para os alunos pardos, o índice chega a 47% e a 45%. Nas mesmas regiões, a possibilidade de fracasso entre alunos brancos é 46% na Região Norte e 44% na Região Nordeste. O Sudeste apresenta os menores índices nacionais, 36% para os alunos pretos, 27% para os pardos e 22% para os brancos. A também pesquisadora Marília Carvalho faz pesquisas qualitativas. Segundo ela, é preciso esclarecer que o fracasso escolar não é do aluno, mas sim da escola que não foi capaz de dar ao estudante o nível de aprendizado e desempenho esperado para o período. Durante as pesquisas, ela observou que a cor autodeclarada pelo estudante está relacionada também ao seu desempenho. “O processo de declaração diz respeito a autoimagem que a pessoa tem. No conjunto da sociedade, quanto mais escolarizada, com maior renda, a pessoa é clareada. O processo ocorre na escola. Quando as crianças vão bem, elas são clareadas, tanto para si mesmas quanto para professores e colegas”, diz Marília Carvalho. Ela acrescenta que os próprios professores declararam que nunca tiveram a oportunidade de discutir questões raciais nem durante a formação, nem no espaço coletivo da escola. “Relações de racismo marcam a nossa sociedade. As crianças negras têm que enfrentar mais esta dificuldade na escola, têm que se afirmar a todo momento e gastam parte da energia que deveria ser voltada ao aprendizado para se defender”. Fonte: http://www.dm.com.br/texto/103934-meninas-mais-estudiosas

positivo
0
negativo
0

monike 01/04/2013

Uma otima avaliacao sobre o prenconceito no Brasil.Nos levar a refletir sobre a atual situacao do negro no Brasil,que infeslimente ainda esta longe de mudar!Ao meu ponto de vista nao e bolsa,que vai salvar tirar o negro da miseria.A proxima materia poderia ser um reflexao sobre a saida de milhares de pessoas da linha da miseria do governo vergolhoso da nossa presidenta Dilma.

positivo
0
negativo
0

4 comentários

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros