| Mayke Toscano/Hipernotícias |
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Existem pessoas que, mesmo não querendo, a gente é obrigada a falar sobre elas, por serem destaque político, financeiro e às vezes social.
Muitas e muitas vezes a caneta ou o teclado do surrado computador reluta em digitar certos nomes que ocupam os cargos acima, mas se torna obrigado por dever do cargo de jornalista, e tem-se que se cumprir a tarefa.
Outros parecem ter uma intimidade muito grande com nossas cordas vocais, que ao pronunciar seus nomes, parecem ecoar dentro dos corações das pessoas.
Estes que ostentam este privilégio geralmente nunca fizeram questão de que eles fossem manchetes de jornais ou televisões.
Professor Ranulpho Paes de Barros era um deles. Homem íntegro, educador dedicado, pai de família exemplar, desportista ímpar e amigo fiel.
Tive o prazer de publicar no seu jornal Folha Mato-grossense o primeiro artigo que escrevi, quando naquela época, a exemplo de hoje, alguns jornalistas desciam o pau na construção do Verdão e eu defendia uma obra aspirada por todos os cuiabanos.
Parece que vejo e escuto o querido professor com seu terno amarelo descendo a Avenida Getúlio Vargas com seu diário de classe embaixo do braço a cumprimentar a todos que cruzassem com ele.
Vejo e ouço também sua fisionomia e sua voz no alambrado do Estádio Presidente Dutra, com o sol a pino, e uma temperatura de mais de 35 graus, a gritar meu nome no sentido de me incentivar a marcar mais um gol para o Mixto. Modéstia a parte, parece que com aquela “injeção” de animo, o gol parecia ser mais fácil de fazer.
No vestiário o Presidente, Diretor, Secretário e técnico Ranulpho sempre tinha uma palavra de carinho e de incentivo aos seus atletas amigos.
Era o Mixto, o Colégio Estadual de Mato Grosso e seu jornal, os três novos membros de sua família tal o amor e o afeto dedicado à eles.
No tempo que passei estudando no Rio de Janeiro e ele internado na Beneficência Portuguesa, saia eu da minha faculdade na Praia Vermelha, tomava um ônibus até o Flamengo e subia até o seu apartamento para ao lado de sua cama e sem notar as horas passarem, receber do velho e querido mestre, verdadeiras aulas da boa convivência e exemplos de dignidade humana.
Desafio alguém que conviveu com Ranulpho Paes de Barros a me apontar um cidadão que não o admirasse e o respeitasse.
Afianço-lhes sem medo de errar, que se hoje nosso futebol tivesse um Ranulpho, um Rubens dos Santos, um Joaquim de Assis e os irmãos Matozo, não estaria nesse marasmo.
Ranulpho Paes de Barros está na fila dos esquecidos e injustiçados esperando receber o reconhecimento das nossas autoridades. Professor, não se preocupe, o povo desta terra não te esqueceu e te reverencia como uma das grandes personalidades do nosso tempo.
(*) EDUARDO PÓVOAS é cidadão cuiabano e dentista pós-graduado pela UFRJ.
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