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Artigos Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 09:17 - A | A

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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 09h:17 - A | A

ROBERTA HERINGER

O eleitor está evitando sair de casa e isso não tem a ver só com redes sociais

ROBERTA HERINGER

Existe uma explicação fácil que coloca a culpa nas redes sociais, como se o celular tivesse substituído a praça e resolvido tudo. Essa leitura é confortável, mas não explica o que está acontecendo de verdade. O problema não é só onde o eleitor está, é por que ele decidiu não estar mais na rua.

A vida urbana ficou mais pesada. Tudo custa mais caro, tudo exige mais tempo, tudo cansa mais. Sair de casa hoje não é mais um gesto simples, é uma decisão que envolve dinheiro, energia e disposição. Quando a pessoa coloca isso na balança, a escolha deixa de ser emocional e passa a ser prática.

Vale a pena sair ou não vale?

E, na maioria das vezes, a resposta tem sido não.

Esse movimento não acontece só na política. Ele aparece no lazer, no consumo e na forma como as pessoas convivem. Dados do Datafolha sobre comportamento jovem mostram que mais de 50% da Geração Z vai a casas noturnas menos de uma vez por ano, o que desmonta completamente a lógica de frequência que sustentava esse mercado por décadas. A ideia de sair todo fim de semana praticamente desapareceu. No lugar disso, surgiram saídas pontuais, escolhidas com cuidado, normalmente ligadas a algo que realmente compense o esforço.

O próprio setor de entretenimento já entendeu essa mudança. Associações como a ABRAPE vêm apontando a migração do modelo contínuo para o modelo de grandes eventos, em que o lucro depende de ocasiões específicas e não da presença recorrente. O cotidiano já não sustenta a saída. As pessoas escolhem quando sair e, principalmente, por que sair.

Existe também um fator psicológico que pesa nessa decisão. Um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro sobre culturas urbanas indica que a sensação de vigilância constante, impulsionada por redes sociais, faz com que muitas pessoas se sintam expostas em ambientes públicos. A rua deixa de ser um espaço espontâneo e passa a ser percebida como um lugar de julgamento permanente.

Além disso, existe o cansaço mental. Planejar uma saída envolve trânsito, custo, segurança, tempo e imprevistos. Esse esforço, muitas vezes, já é suficiente para desestimular. Ficar em casa passa a ser a escolha mais simples, mais previsível e menos desgastante.

E tem o ponto mais direto de todos: dinheiro.

Com o aumento do custo de vida, sair ficou caro. Alimentação fora de casa, transporte e lazer subiram de preço de forma consistente. O FEBRABAN, por meio da pesquisa Radar 2025, mostra que a grande maioria dos brasileiros sente a inflação de forma intensa no dia a dia, o que leva ao corte imediato de gastos considerados não essenciais. E sair, hoje, muitas vezes entra nessa conta.

Sair de casa passou a ter um custo alto demais para um retorno incerto.

Quando esse comportamento se consolida, ele muda completamente a forma como o eleitor se relaciona com a política. Não é que ele não queira participar, é que participar exige um esforço que ele já não está disposto a fazer com frequência.

Ele sai para o que é necessário. Para o que é importante. Para o que realmente vale a pena.

A política, na maior parte das vezes, não entra nessa lista.

Isso explica por que comícios, reuniões de bairro e eventos presenciais perderam força. Não é só uma questão de estratégia, é uma mudança no comportamento das pessoas. O candidato pode até estar na rua, mas o eleitor não está mais.

E isso muda tudo.

Ter presença digital hoje não é mais diferencial, é o mínimo. Mas isso não resolve o problema sozinho, porque a questão não é só estar no digital, é entender a lógica de quem está ali.

Esse eleitor que evita sair de casa também evita perder tempo. Ele filtra mais, escolhe mais, ignora mais. Ele não quer esforço desnecessário, nem na vida, nem no conteúdo que consome.

Por isso, a comunicação política precisa mudar. Não adianta insistir, repetir ou invadir. Isso só aumenta a rejeição.

O que funciona é relevância. É falar algo que faça sentido dentro da rotina da pessoa. É respeitar o tempo dela. É entender que a atenção virou um recurso escasso.

A disputa hoje não é só entre candidatos. É contra o cansaço, contra a falta de tempo e contra o excesso de informação.

O eleitor não abandonou a política. Ele passou a escolher melhor onde coloca sua energia.

E, hoje, quase nada tem sido suficiente para tirá-lo de casa.

(*) ROBERTA HERINGER é estrategista digital para perfis políticos e criadora do Estratégia Política Digital.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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