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Artigos Segunda-feira, 13 de Abril de 2026, 10:11 - A | A

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2026, 10h:11 - A | A

GONÇALO NETO

A consciência não tira férias

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO

Existem ocasiões que surgem com toda a pompa, repletas de cerimônias e uma estrutura em camadas. Existem aquelas que atuam em meio ao sussurro, sem pompa de vestuário ou regras formais. A consciência faz parte desse segundo plano. Translúcida, mas presente, essa figura invisível caminha lado a lado com o humano a cada decisão, como se fosse um juiz particular, sempre à espreita e impossível de evitar.

Desde tempos imemoriais, a mente humana tem sido um verdadeiro quebra-cabeça para os pensadores. Para Sócrates, ela surgia como um “daimon” que habitava o íntimo, uma voz sussurrante que não mandava o que fazer, mas alertava sobre o que era melhor evitar. Era mais como um travão do que uma ordem — uma barreira moral que surgia do íntimo. Séculos adiante, Immanuel Kant pegaria essa ideia e a enrolaria na filosofia: a consciência seria como o eco da razão a agir, a habilidade do ser humano de perceber dentro de si a lei moral, como um farol iluminando a escuridão da indecisão. Não se segue a voz da consciência por temor, mas sim por uma questão de obrigação.

Nesses dois extremos — o sussurro da alma e a razão legislativa — forjou-se uma das noções mais poderosas que circulam na tradição ocidental: a crença de que o ser humano não é apenas uma marionete de instintos ou do destino, mas possui a habilidade de se autoavaliar. Esse talento de se examinar é, quem sabe, o que realmente separa de forma mais intensa. Agir sem entender o motivo é como navegar em um barco furado; é preciso ter clareza do porquê se erra.

Contudo, a consciência não é um simples equipamento que fica ali paradão. Ela se molda, se amolda e se reinventa durante sua jornada. Friedrich Nietzsche enxergava nela não somente uma referência ética, mas também um terreno repleto de conflitos ao longo da história. Na visão dele, a consciência pode surgir de um cozido de introspecção, controle e até de um treinamento social, como se fosse um cãozinho bem-comportado. Aquilo que se menciona como “voz interna” pode ressoar com os sons da cultura, da espiritualidade e das figuras de poder.

Essa análise não arrasa a mente; pelo contrário, a torna um labirinto repleto de nuances. Revele que ela não é um cristal transparente, mas sim um mosaico repleto de traços diversos. Ainda assim, continua a ser um campo de batalha. É nesse palco que se esbarram anseios e obrigações, vontades e princípios, fervor e compromisso. A consciência não esfumaça as confusões da alma humana; pelo contrário, ela as coloca em plena luz.

Na era contemporânea, onde tudo gira em torno da rapidez, do acúmulo de dados e da exposição incessante, a nossa percepção lida com obstáculos inéditos. Um carnaval de informações faz com que a balança do pensar se incline para a resposta instantânea. Avalia-se de forma apressada, emite-se juízos em um piscar de olhos, e as decisões são tomadas na fogueira da pressão. Nesse quadro, a paz que permite ouvir a alma se transforma em uma joia preciosa. A consciência, para se manifestar em sua totalidade, demanda momentos de interrupção — e esses intervalos se tornaram um capricho raro.

Mesmo assim, ela se mantém firme como uma rocha em meio à tempestade. Quem sabe aí esteja a sua verdadeira potência. Não precisa de currículos ou selos de qualidade para brilhar. Pode ser deixada de lado, mas não extinta. Ela pode ser calada, mas jamais desaparecerá. Conforme destacou Hannah Arendt, o verdadeiro risco ético não se esconde no deslize intencional, mas sim na falta de reflexão — na ausência de um bate-papo consigo mesmo. Não silenciar o diálogo interno para não dar brecha para a chatice do vilão que se esconde nas sombras.

A consciência não serve apenas como um árbitro; ela é igualmente o tempero que dá sabor à humanidade. Ela freia, faz pensar e reavaliar. Estabelece barreiras em um território onde a vontade não vê limites. E, ao realizar essa tarefa, mantém viva uma coisa fundamental: a chance de assumir responsabilidade.

É por aí...

(*) GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO tem formação em Filosofia, Sociologia e Direito (Email: [email protected]).

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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