| Marcos Lopes/HiperNotícias |
![]() |
Antes do início da Copa, muito se disse e se escreveu sobre os problemas enfrentados pelo governo de Mato Grosso na preparação para receber os jogos. Os atrasos das obras, especialmente daquelas que terão impacto sobre a mobilidade urbana, assim como as nossas características climáticas e territoriais, foram destacados de forma negativa pela mídia nacional, que muito questionou a escolha de nossa capital como cidade-sede.
Tivemos o desprazer de ver Cuiabá tratada como “sede estranha” no noticiário e fomos criticados tanto e com tamanho exagero que, em dado momento, surgiu até a dúvida se aqueles jornalistas haviam, de fato, alguma vez pisado no nosso território para averiguar em pessoa a realidade da nossa preparação para a Copa. Vemos hoje que o pessimismo e a crítica raivosa deram lugar à alegria, ao respeito e à admiração.
Na imprensa nacional e internacional, a mudança de posição foi evidente. A revista Veja, que antes do início dos jogos escreveu que a Copa em Cuiabá aconteceria na base do improviso, publicou na semana passada um texto exaltando a recepção excepcional aos turistas e o clima de festa e alegria que contagiou a nossa capital. No exterior, grandes veículos de mídia americanos, ingleses, franceses, alemães têm destacado esta Copa como uma das melhores da história dentro e fora das quatro linhas.
Não restam dúvidas de que a Copa do Mundo no Mato Grosso foi um sucesso total. Recebemos mais de 100 mil turistas durante o período, além de profissionais de diversas áreas que atuaram nas partidas. Fomos visitados por delegações dos países de algumas das seleções que jogaram na Arena Pantanal e, através desses encontros, já estamos formando novos laços e fomentando acordos que podem vir a dar bons frutos para o Mato Grosso.
O grande número de turistas brasileiros e estrangeiros que vieram assistir aos jogos da Copa colocou à prova nossa preparação para recebê-los, e o êxito foi absolutamente positivo. Com mais de 90% das vagas em hotéis ocupadas, comércio e restaurantes sempre cheios e muita procura por pacotes de viagem, a vinda dos turistas rendeu grandes oportunidades de trabalho e de negócios para quem se preparou e acreditou no potencial da Copa.
Chilenos, australianos, russos, coreanos, nigerianos, bósnios, japoneses e colombianos trouxeram seu colorido especial para a nossa festa e, juntos, formamos uma maré de alegria que uniu culturas, raças e credos. Temos que agradecê-los pela generosidade, assim como, tenho certeza, eles agradecem a nossa hospitalidade.
As obras que não foram entregues total ou parcialmente sofreram com problemas como a falta de repasses e o excesso de burocracia. A maioria deve ficar pronta até o final deste ano, feita a exceção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que deverá ser concluído pelo próximo governador. Porém, a conclusão dessas obras não deve ser o único objetivo do governo estadual neste período pós-Copa. Precisamos continuar trabalhando para colher os frutos de todo o trabalho feito para receber o evento.
Uma das maiores preocupações agora deve ser o destino da Arena Pantanal, reconhecida como um dos mais belos e modernos estádios do Brasil na atualidade. A Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) já anunciou que será realizada, ainda neste ano, uma licitação para a concessão do estádio para a iniciativa privada.
A ideia é garantir, através dos critérios da licitação, que a Arena sirva de indutor para o futebol mato-grossense e também que possa ser utilizada pela população como uma nova área de lazer. Faz parte do plano apresentado pela Secopa viabilizar a realização de jogos do Campeonato Brasileiro aqui em Mato Grosso. A iniciativa é boa, mas deve ser acompanhada por fiscalização e controle para garantir que sejam respeitadas as prerrogativas.
A Copa, que antes de terminar já deixa saudades nos corações e mentes do povo de Mato Grosso, deve ser vista como o início de um novo momento para a gestão pública no estado. Mostramos nosso potencial como destino turístico e como sede para grandes eventos, ainda que tenham ocorrido problemas na preparação. Precisamos concluir as obras e continuar apoiando o desenvolvimento de nosso estado para garantir que o legado maior da Copa não seja a lembrança da festa maravilhosa que protagonizamos, mas sim a certeza que o futuro guarda ainda maiores realizações para Mato Grosso.
*JULIER SEBASTIÃO DA SILVA é ex-juiz federal em Mato Grosso
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









M. Mattos 27/06/2014
O aparente sucesso da copa não só em Cuiabá, mas também no País inteiro se deve única e exclusivamente ao nosso povo ordeiro e hospitaleiro que dá mostras ao mundo de que apesar de todas as mazelas da gestão pública nas obras faraônicas de mobilidade onde nada foi concluído, com gastos astronômicos, superfaturados e de péssima qualidade com recursos públicos sem a participação da iniciativa privada como era previsto, ainda assim dá mostras de sua civilidade e disso estão se aproveitando os costumeiros interesseiros para se rejubilarem do pretenso e momentâneo sucesso. Não sou pessimista de forma alguma e fui um crítico contumaz pela falta de planejamento especialmente das obras do VLT forjado e maquiado com base numa nota técnica fraudada. Na verdade, a única sustentação para a copa como está sendo realizada, se deve a conclusão das arenas, todas elas com seus orçamentos estourados e até duplicados como no caso de arena de Brasília. Alguém sabe dizer o custo final da Arena Pantanal e de outras arenas? De onde saíram os recursos, como e quem vai acabar pagando? E as demais obras inacabadas? Quais são os cronogramas físico e financeiro e a origem dos recursos ainda necessários? Como está a capacidade de endividamento do estado para assumir tais compromissos? Aí sim após o fim da festa o despertar dessa aventura irresponsável será dolorida porque não se vive só de samba, futebol e carnaval. O povo está fazendo a sua parte, mas a realidade será dolorosa para todos porque não se vive apenas de ilusão eternamente.
1 comentários