| Divulgação |
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Ao me receber em sua sala, na sede da Federação, em princípio, Orione foi simpático e, de jeito calmo, tentou me pressionar. "Eu não tenho por que de te dar os detalhes de contrato. Quem você é? Por que a Imprensa tem que saber o que está escrito nele", disse.
Eu estava tentando há alguns meses levantar informações para esclarecer à sociedade sobre o acordo da TVCA com a FMF. Nem mesmo os dirigentes dos clubes mato-grossenses tinham acesso ao tal contrato.
Para completar, o dinheiro que era para ser repassado aos clubes ficava nos cofres da entidade. Não estou supondo, isto me foi dito pelo próprio Orione. A justificativa dele é de que os clubes devem à FMF, e o valor do pagamento dos direitos televisivos serviria para cobrir parte mínima das supostas dívidas.
A Federação não estava ali para ajudar aos clubes, pelo que entendi, estava ali apenas para cobrá-los.
Carlos Orione assumiu a presidência da então Federação Mato-grossense de Desportos em 1976, há mais de 36 anos, e desde então, nunca mais saiu. Porém, ele era o pior tipo de ditador que tivemos à frente do nosso futebol, pois não conseguimos citar uma coisa boa feita por Orione para o esporte mais popular do país, aqui no nosso Estado, levando-se em conta que a vinda da Copa do Mundo foi muito mais mérito de nossos políticos e a articulação na esfera federal do que dele.
Eu nasci em 1988, e nunca vi jogos entre clubes profissionais mato-grossenses com público lotado no nosso saudoso Verdão. Eu tinha tudo para ser como mais um jovem cuiabano, que ama futebol, porém acompanha apenas os clubes nacionais, mas tive a sorte de ter como amigo Carlinhos Ié-Ié, que me buscava em casa desde os quatro anos de idade para assistir a Copa Gazeta Máster.
Eu adorava aquele estádio lotado, pessoas de todos os cantos de Cuiabá, rico e pobre torcendo juntos pelo mesmo time, todo mundo se conhecia e me perguntava: ‘por que as pessoas vêm ver o time máster jogar, mas não vai assistir ao campeonato estadual?’.
A resposta é claro que fui conhecendo com o tempo. Com a falta de organização e investimento, nosso futebol entrou há anos na UTI, sofrendo de um câncer chamado Carlos Orione, porém passou a respirar melhor desde o início desta semana.
Como repórter, há alguns anos tive a grata satisfação de conversar com um dos mais renomados jornalistas esportivos do país, Juca Kfouri, que resumiu bem o principal feito de Orione para o nosso esporte: “ele transformou o futebol de Mato Grosso em um nada”.
Espero, sinceramente, que daqui para frente as coisas mudem na Federação, espero que nosso futebol não tenha dono, espero mais investimentos, transparência e renovação.
Depois de tudo isso, não vou esperar mais nada, tenho a certeza que veremos nossos estádios lotados.
(*) HUMBERTO FREDERICO é jornalista e sócio proprietário do site Olhar Esportivo (www.olharesportivo.com.br)
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