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Artigos Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 08:28 - A | A

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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026, 08h:28 - A | A

ROSANA LEITE

A multiartista Frida Kahlo

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu em 06 de julho de 1907 em Coyoacán, e fez a passagem em 13 de julho de 1954, no mesmo local. A mexicana de semblante inconfundível trouxe para a pintura fortes elementos autobiográficos.

Ela produziu belas obras e modificou a forma de enxergar a condição humana. A sua arte jamais será reduzida à estética, assim como a sua vida não foi resumida a dor que enfrentou. Ela tem múltiplas faces: pintora, intelectual, leitora, militante política, amante apaixonada da cultura mexicana, observadora sensível da natureza e, sobretudo, alguém que recusou a ideia de que o sofrimento deveria conduzir ao silêncio.

No século XX poucas figuras conquistaram uma dimensão simbólica tão intensa quanto Frida Kahlo. Seu rosto, marcado pelas sobrancelhas espessas que jamais procurou esconder, tornou-se um ícone mundial. A sua imagem não eclipsou a obra. Com Frida, muitas vezes se conhece a personagem antes da pintora. Entretanto, basta um olhar atento sobre seus quadros para compreender que ali estava uma das mais originais criadoras da arte moderna. É dela: “Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.”

Enfrentou inúmeros desafios em sua trajetória terrena. A poliomielite na infância e o gravíssimo acidente sofrido na juventude transformaram seu corpo em território permanente de dor. Foram inúmeras cirurgias, longos períodos de imobilização e limitações físicas que acompanhariam toda a sua existência. Todavia, passou muito longe de ser definida como vítima. Converteu tudo em linguagem artística. Em vez de esconder as cicatrizes, fez delas matéria-prima para construir uma obra profundamente humana. Disse: “Amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore a partir do teu interior.”

Não buscou idealização, e não pintava para parecer bela, segundo os padrões convencionais. Seus quadros revelam lágrimas, sangue, raízes, espinhos, animais, flores, colunas partidas e corações expostos. Tudo com o respectivo significado. Cada elemento dialogou com a sua história, suas inquietações e seus afetos. O resultado foi de uma pintura que não se limitou ao retrato físico, mas alcançou a dimensão psicológica e existencial do ser humano.

Ela entendeu que a arte não precisava esconder as fragilidades. Em uma época em que se valorizavam imagens femininas delicadas e submissas, ela apresentou uma mulher complexa, forte, contraditória, apaixonada, ferida e intelectualmente independente. Sua obra rompeu expectativas e abriu espaço para novas formas de representação da identidade feminina.

Muito antes de se falar em decolonialidade, a artista fez questão de destacar a sua profunda ligação com o México. Enquanto muitos artistas buscavam referências exclusivamente europeias, Frida voltou seus olhos para as raízes indígenas, para o artesanato popular, para as cores vibrantes, para os trajes tradicionais e para a riqueza simbólica de sua terra. Sua casa, suas roupas e sua pintura constituíam uma afirmação permanente da identidade mexicana. Em suas telas convivem cactos, macacos, cães, papagaios, frutos tropicais e elementos da cultura pré-colombiana, compondo um universo visual singular que transformou o regional em expressão universal.

A sua pintura nasceu da reflexão, com uma consciência aguda das tensões entre corpo e espírito, entre identidade e pertencimento, e liberdade e sofrimento. Defendeu ideais revolucionários, participou da vida política mexicana e acolheu em sua casa importantes personagens da história mundial.
As novas gerações continuam encontrando em Frida uma fonte de inspiração. Mulheres reconhecem nela um símbolo de autonomia e resistência.

Pessoas com deficiência percebem que as limitações físicas não anulam a potência criadora. Artistas descobrem que a originalidade nasce da fidelidade à própria vivência. Jovens aprendem que identidade não é algo imposto, mas construído com coragem e autenticidade.

Transformar a dor em permanência é uma de suas marcas. E assim ela se expressou em uma célebre frase: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?” 

(*) ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual, mestra em Sociologia pela UFMT, doutoranda em Educação pela UFMT, membra do IHGMT e da Academia Mato-grossense de Direito na Cadeira 29.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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