Artigos Sexta-feira, 24 de Junho de 2022, 08:37 - A | A

Sexta-feira, 24 de Junho de 2022, 08h:37 - A | A

NEILA BARRETO

A Casa Barão e a Travessa do Roriz

NEILA BARRETO

ARQUIVO PESSOAL

NEILA BARRETO

 

Caminhando pelas ruas antigas de Cuiabá-MT, vamos identificando um pouco dos seus casarios edificados na Vila do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Assim aprendemos que a arquitetura também é uma arte, além de ser uma técnica aplicada às construções. Essa riqueza temos em Cuiabá.

Um exemplo disso é a Casa Barão de Melgaço construída no Século XVIII no rincão do Oeste Mato-grossense, ainda no início da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. A essa época Mato Grosso era governada pelo Capitão General Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

Segundo o arquiteto Moacyr de Freitas, a rua onde foi construída a Casa Barão de Melgaço, em plantas da Vila Real lá estava ela projetada em 1777 entre outras, dando início à Rua do Campo do Ourique, conhecida então como rua Nova. Porém, em outra planta de 1775, nenhuma casa aparecia ali, revelando-nos que ela fora construída após o ano de 1775 e antes de 1777.

Nessa planta percebeu-se a existência de um córrego na Travessa do Roriz, atual rua Voluntários da Pátria, onde foi levantada a obra residencial, que hoje é a Casa Barão de Melgaço. “ É uma Casa Senhorial. É dela que seu primeiro dono vai retirar a sua alegria. É um lar, onde fixou sua própria felicidade e da família”, deixou registrado Freitas.

“Aquela construção obedecera à mais requintada técnica que se conhecia, trazida pelos habitantes portugueses ou descendentes dos bandeirantes paulistas. Posta tangente à rua, não podia prescindir do pátio interno. Pátios também de tradição universal da Arquitetura traduzidos no impluvium grego, nos claustros romanos, ou nas realizações mouriscas que, mais próximas, nos influenciaram mais profundamente. O pátio aqui, configurado com planta em U, vem ventilar os cômodos do interior da casa, amenizando o calor tropical e proporcionando espaço aberto, mas privativo, necessário ao recreio das donzelas e crianças em recesso adequado com a discrição e o ciúme da época”, testemunho este eternizado pelo arquiteto.

A Casa Barão de Melgaço situada com o córrego a sua esquerda, hoje soterrado, percorre as ruas escondidas e desemboca no córrego Prainha. No entanto, por várias vezes ao passar pela Rua Voluntários da Pátria percebe-se as águas escorrendo ou seu asfalto molhado, onde o córrego sinaliza que por ali ainda existe vida.

Quando da sua construção havia o saguão de entrada, o quarto de hóspedes, a grande varanda, a sala de refeições, as varandas traseiras de serviço, os grandes armários de suprimentos da cozinha. As portas e janelas com folhas feitas com frisos e travessas girando em grossas molduras de madeira lavrada e pesada. O pé direito com mais de 4metros. Os beirais sobre consolos recortados em grandes balanços. Suas paredes de barro socado a pilão misturados com esterco de curral, capim, cascalho miúdo, a taipa de pilão, bem como, os adobes que construíram as paredes mais finas. O revestimento das paredes foi de cal e areia reforçado com esterco de curral. A cobertura de telhas de barro queimadas em olarias rústicas. O piso em tijolo queimado. A água vinha de um poço privativo hoje, soterrado. A Casa Barão foi habitada por muitas famílias até chegar às mãos do Barão de Melgaço – Augusto Leverger

(*) NEILA BARRETO é Jornalista. Mestre em História. Membro da AML e atual presidente do IHGMT.

 

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