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AgroHiper Domingo, 16 de Junho de 2024, 17:27 - A | A

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Domingo, 16 de Junho de 2024, 17h:27 - A | A

SOLUÇÃO EMERGENCIAL

Condomínios de grãos são alternativa para suprir déficit de armazenagem e valorizar preço da safra, aponta economista

Vanessa Gasch explica que os produtores de soja, reféns das tradings, são pressionados para liberar espaço à safrinha do milho e acabam aceitando valores menores

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

A economista e diretora-executiva do Movimento Mato Grosso Competitivo, Vanessa Gasch, acredita que os condomínios de grãos surgem como alternativa com custo benefício atrativo aos produtores para suprir o gargalo de 34,96 milhões de toneladas do déficit de armazenagem da soja e milho da safra 2023/24 apontado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). A modalidade foi regulamentada por meio do Decreto 613/2023, sancionado pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) em dezembro do ano passado. Vanessa diz que a os condomínios evitam que os produtores fiquem "reféns" das trandings. Segundo a economista, os empresários são pressionados a desocupar os locais, abrindo espaço à safrinha do milho. Impossibilitados de esperar a diminuição do volume da soja, colocam os grãos no mercado no ápice das negociações, quando há maior volume e os preços estão em queda.

"Estamos falando de parte significativa da nossa capacidade de armazenagem nas mãos de grandes companhias. Por um lado, é bom pois guardamos o que é produzido em parceria com elas, que têm mais facilidades para investir neste tipo de projeto. Porém, o produtor entrega o grão para a trend e o tempo começa a contar a partir dali. Ele precisa vender quando tem mais oferta, quando os preços da soja são pressionados. Esse cenário é prejudicial, pois ele perde a oportunidade de barganhar por um preço melhor já que a trend quer entrar com o milho. A gente tem todo esse balanço", explica a economista ao HNT.

O déficit de armazenagem de soja e milho é de 34 milhões de toneladas, segundo o Imea

Fazendo um recorte dos últimos dez anos, a produção cresceu 51,6 milhões de toneladas. Enquanto a armazenagem, se estabilizou em 60,60% para a reserva de soja e milho em Mato Grosso, de acordo com o Imea. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), expõem que existem 1605 armazéns em MT. Destes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 3,3 toneladas de grãos estão em unidades convencionais, já 29,9 milhões de toneladas ficam em armazéns do tipo graneleiros e 18,4 milhões de toneladas são estão reservados em silos.

Vanessa Gasch pontua que a taxa de juros das linhas do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), parte do Plano Safra, é outra problemática que acaba intimidando o produtor a assumir a construção de um armazém individual. De acordo com a economista, a iniciativa do governo federal, acaba comprometendo os agricultores por até 15 anos. Além disso, conforme Vanessa, o acesso ao empréstimo ainda não é facilitado pois o PCA é a única alternativa ofertada pelo Estado para a concepção de armazéns, deixando de atender características específicas entre os perfis dos produtores de cada região do país. 

"Sabemos que é um investimento muito alto se for para fazer sozinho. Pode demorar de 10 a 15 anos para se pagar e o produtor fica receoso de tomar esse crédito de uma vez e ficar dependendo do resultado das outras safras. O produtor também tem muita dificuldade de acessar esse crédito. Atualmente, existe apenas uma linha no mercado disponível para investimentos nesse tipo que é o PCA. Tem produtores que terão de comprometer 6 mil sacas e pagarão uma taxa de juros de 7,5% e outros produtores que pagam uma taxa de juros maior. O perfil do produtor aqui é diferente de outros estados produtores", esclarece a economista.

A armazenagem não acompanha o mesmo ritmo do aumento produtivo, avalia Rosicler Saporski da Aprosoja-MT 

Ampliando a análise para o Brasil, das 203 milhões de toneladas produzidas, apenas 33 milhões são armazenadas, ou seja, apenas 16%. O recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de haja sobra de 20% entre a capacidade de produção comparada ao que é produzido por um país. Atualmente, o Brasil está em quarto lugar no ranking mundial. O Canadá é o primeiro, os Estados Unidos (EUA) vem atrás e a Argentina é o terceiro.

Rosicler Saporski, gestora de política agrícola da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), frisa que é nítido o descompasso entre o aumento da produção e da armazenagem no Brasil. Levantamento da Conab aponta que o déficit no país ultrapassa os 100 milhões de toneladas. 

"A armazenagem não acompanha o mesmo ritmo do aumento produtivo. Crescemos nos últimos anos 125% em produção e 40% em aumento de armazenagem. Então, você observa que há um descompasso. Isso acaba refletindo em gastos com fretes, custos com filas, acidentes nas estradas. A pressão sobre as rodovias é muito grande", avalia Rosicler.

Camila Ribeiro/HNT

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SUPRINDO A DEMANDA

Para sanar o gargalo da armazenagem de grãos em MT, a Conab estima que seja necessário construir 2.680 unidades. O custo médio da construção é de R$ 13 milhões para um armazém com capacidade de 12 mil toneladas. Ou seja, para extinguir o déficit seria necessário empreender cerca de R$ 37,51 bilhões. Rosicler Saporski fala que o governo federal deveria "pulverizar" melhor os recursos por meio do PCA, de maneira que possa atingir mais produtores pequenos e médios. 

"A gente tem um contingenciamento de recursos, políticas que não conseguem atender o pequeno. Não há uma pulverização desses recursos, deixando o pequeno e o médio sempre à parte. Você precisa ter um recurso pronto, uma estrutura pronta para captar aquele recursos e eles, às vezes, não têm isso tudo pronto", diz Rosicler. 

Camila Ribeiro/HNT

Rosicler Saporski

Rosicler Saporski, gestora de política agrícola da Aprosoja-MT

A gestora de política agrícola ainda cita a questão burocrática como outro agravante. Conforme Rosicler Saporsk, parte dos produtores acabam desistindo do processo no meio do caminho pelo volume de documentos e licenças solicitadas para acessar a linha de crédito. Pensando nesse público, a Aprosoja-MT desenvolveu o programa "Armazém para Todos" que oferta consultoria aos associados com a intenção de construir condomínios de armazenagem, os acompanhando passo a passo. 

"Nós temos uma empresa conveniada especialista na construção de armazéns para grãos e na elaboração de projetos. O produtor associado pode nos procurar pois esse processo é muito burocrático, são vários documentos ambientais, de estrutura, questão logística e onde fazer dentro da própria fazenda", sinaliza Rosicler Saporski. 

Um produtor consegue ajudar o outro e, nessa mistura de grãos, entrega todos no padrão, fala presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, destaca que ao optar pela modalidade dos condomínios, o produtor não fica sufocado pelo endividamento pois vai compartilhar os custos e, ao mesmo tempo, será beneficiado com os ganhos da operação. 

"Quando se tem um condomínio, é possível fazer uma média ponderada da produção. Às vezes, até um produtor consegue ajudar o outro e, nessa mistura de grãos, consegue entregar todos no padrão. São muitos benefícios, pois ter um armazém na fazenda é um investimento alto, principalmente o custo operacional e você acaba dividindo essas despesas com outros produtores", fala Lucas Costa Beber. 

 

Camila Ribeiro/HNT

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STARTUP DESBRAVA MERCADO DOS CONDOMÍNIOS DE GRÃOS 

Os condomínios de grãos são uma proposta inovadora, mas a sua população em Mato Grosso ainda é restrita. A startup Agrosilos MT abre caminho no segmento. Atualmente, a startup se dedica a construção de unidades em Diamantino, Nova Mutum, Paranatinga e Sinop (a 182km, 240 km, 385 km e 480 km respectivamente de Cuiabá), cidades estratégicas para o escoamento da produção. Para facilitar o entendimento, o CEO, Paulo Maia, compara a operação com prédios em que os moradores dividem os gastos e usufruem das suas vantagens. Técnicos editam um projeto personalizado, cobrindo desde a escolha do lote até os pormenores jurídicos envolvendo a sociedade.

Startup com atuação em MT tem "selo verde" pois segue ODS da ONU

Com tudo pronto, ao fazer a entrada dos grãos, eles são encaminhados ao processo de beneficiamento, fase em que as impurezas são retiradas. Só depois, os grãos de soja ou milho são misturados, formando o chamado "blend". 

"Ao dividir a operação, conseguimos derrubar o custo pela metade comparando com o investimento para se fazer um silo sozinho. Esse é ponto-chave. A gente já leva toda a solução técnica, de projeto, licenças, contratos, documentos, etapas que são difíceis para o produtor que está com a cabeça em sua lavoura", detalha Paulo Maia à reportagem. 

Reprodução/AgrosilosMT

Silo

Operação da Agrosilos MT, startup de armazenamento de grãos

O CEO destaca que ao concentrar a armazenagem em um local próprio, o produtor acaba economizando com o deslocamento e soma pontos ao desenvolvimento regional. Outro ganho é o ambiental, uma vez que há redução dos poluentes emitidos ao demandar menos combustível. Porém, conforme Maia, a Agrosilos MT tem outro diferencial relacionado ao meio ambiente pois segue a cartilha dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, fazendo, por exemplo, o reaproveitamento da água. 

"Somos muito ligados aos ODS da ONU. Em nossos condomínios vai ter energia fotovoltaica, reaproveitamento de água. Quando o produtor vai vender, a rastreabilidade é garantida e ele é visto com um valor muito maior. Isso se comunica com o que chamamos sustentabilidade", diz Paulo Maia.   

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