"As palavras não são suficientes para expressar o que vi quando cheguei lá, uns dez dias depois", disse o diretor em evento da Associação de Críticos de Televisão, realizado por videoconferência. "Mas percebi que muitas pessoas queriam falar sobre o incêndio, como forma de catarse. Queriam compartilhar os vídeos que fizeram. E, quando viram que não queríamos fazer um filme apenas sobre a crise, mas sobre as pessoas lidando com ela, ficou ainda mais fácil. Sou muito grato àquela comunidade."
A vida não era fácil para os sobreviventes naquele momento. Muitos perderam pessoas queridas - 85 pessoas morreram no incêndio, o pior da história da Califórnia e o mais mortal dos EUA nos últimos 100 anos. Vários escaparam por pouco. Quase todos perderam suas casas, já que 95% das construções de Paradise foram destruídas. O incêndio que vitimou a cidade de Paradise foi causado por uma linha de transmissão de energia que soltou faíscas. A empresa de energia da região foi responsabilizada. Mas a falha encontrou as condições ideais para um incêndio de enormes proporções. A Califórnia ainda não se recuperou de cinco anos de seca, e em 2018 o volume de chuva tinha sido muito menor do que o normal, que já é pouco.
O incêndio é apenas o início. O documentário foca mesmo no depois, em como lidar com tudo isso, o que fazer com a vida, como reconstruir. Aliás, seria possível reconstruir? Para Steve "Woody" Culleton, um dos personagens do filme, não havia dúvida de que sim. "Eu era o bêbado da cidade. Mas depois de alguns anos em Paradise, fiquei sóbrio, me casei, ganhei uma neta e acabei eleito para cargos públicos, sendo inclusive prefeito", disse ele. "Por isso, para mim, é importante continuar aqui. É minha casa. É onde coloquei minha vida de volta nos eixos. Somos uma grande família aqui. Por isso quero continuar."
Foi o espírito da comunidade que encantou Howard. É uma população que aparece para montar uma árvore de Natal, que luta para fazer a formatura no campo de futebol da escola, ameaçado por árvores agora mortas. "É uma coisa sobreviver a uma tragédia como essa, e é outra conseguir prosperar enquanto comunidade ou indivíduo", disse Howard. "Eu não tinha ideia de quais seriam os obstáculos, nunca passei por nada parecido. Mas acho que o filme coloca várias questões, como o que esperamos da sociedade? E de nós mesmos, nossos vizinhos, do governo federal, do governo local? Havia muito mais obstáculos do que eu imaginava para a recuperação."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Com Agência Estado)
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