O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) afirmou que o Senado não pode assistir calado à “tragédia” que, segundo ele, ocorre no Judiciário brasileiro após as novas revelações envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (2), o parlamentar defendeu a saída do ministro da Corte e afirmou que “nem os seus colegas estão suportando mais”.
A reação ocorreu após novas revelações envolvendo o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal mostraram, segundo reportagens, que metadados de uma versão do contrato indicam que Moraes realizou alterações no documento antes de sua assinatura.
O acordo previa pagamentos mensais ao escritório Barci de Moraes e poderia chegar a aproximadamente R$ 131 milhões caso fosse cumprido integralmente.
No vídeo, Barbudo também provocou o ministro. “Eu dormi bem, dormi a noite inteira. Eu queria saber como é que o Xandão dormiu.”
Um dos líderes do bolsonarismo em Mato Grosso, o deputado elevou o tom ao comentar o contrato e afirmou que Moraes teve “cara de pau” ao editar o documento. “Isso é crime, isso é crime. Não é possível que o Brasil e os senadores vão assistir calado essa tragédia no Judiciário brasileiro. Acabou Xandão! Acabou, não tem mais condições. Eu quero ver o desfecho desse caso”, afirmou.
Em campanha pela reeleição no interior do Estado, visitando cidades a bordo de um veículo, Barbudo também direcionou a reação aos senadores, responsáveis constitucionalmente pelo processamento de eventual impeachment de ministro do Supremo.
“Nós estamos vivendo numa ditadura do Judiciário. Xandão, eu vou trabalhando aqui e você vai vendo aí que manobra você vai fazer dessa vez pra escapar dessa, né colega”, declarou.
A pressão sobre o Senado aumentou após as revelações. Lideranças da oposição passaram a defender a saída de Moraes, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, evitou se comprometer com a abertura de um processo e afirmou que o número de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo é fora do normal.
No final do vídeo, Barbudo comparou a situação do ministro à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e voltou a cobrar uma resposta dos senadores.
“O Bolsonaro tá preso, né, meu amigo? Justamente por um golpe que não cometeu, e você vai ficar ileso pelo crime que cometeu? Vamos ver o que os senadores fazem dessa vez. Um abraço do deputado Nelson Barbudo”, concluiu.
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