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Polícia Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 15:13 - A | A

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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 15h:13 - A | A

OPERAÇÃO FARISEUS

Polícia diz que líder do Comando Vermelho pagou cirurgia plástica de missionária presa

Delegado da Draco afirmou que investigada recebia benefícios da facção, utilizava empresa de fachada para lavar dinheiro e intermediava recados entre presos e criminosos em liberdade

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

A principal investigada na Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (16), teria recebido uma cirurgia plástica custeada por um dos líderes do Comando Vermelho como parte da rede de benefícios oferecida pela facção criminosa. A informação foi revelada pelo delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, durante entrevista coletiva.

Segundo o delegado, a jovem, presa preventivamente na operação, mantinha relacionamento com um integrante apontado como liderança da organização criminosa e desempenhava papel estratégico na comunicação entre presos e membros da facção em liberdade.

"Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores. A presa de hoje teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa", afirmou o delegado.

De acordo com Victor Hugo, as investigações apontam que a suspeita não exercia atividade profissional compatível com o patrimônio que mantinha.

Conforme o delegado, ela utilizava uma empresa de fachada para movimentar recursos oriundos da facção criminosa e participava da lavagem de dinheiro por meio da distribuição de valores em espécie.

"Ela não trabalha. Tem apenas empresa de fachada e fazia a dilapidação de valores em espécie. Os veículos, o patrimônio e o padrão de vida serão analisados durante a investigação, mas a suspeita é de que tudo era custeado por integrantes da facção", declarou.

A Polícia Civil informou que ainda apura o montante movimentado pelo grupo e aguarda a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados.

LEIA MAIS: Família é alvo de investigação por usar projeto religioso para apoiar facção criminosa em MT

GRUPO USAVA PROJETO RELIGIOSO

Segundo o delegado, a investigação teve início após denúncia recebida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e se estendeu por mais de um ano. As apurações apontam que os investigados utilizavam um projeto missionário desenvolvido em unidades prisionais como forma de facilitar a comunicação entre integrantes da facção.

"Eles utilizavam o projeto de evangelização dentro das penitenciárias como subterfúgio para levar recados, lavar dinheiro e atuar em favor das lideranças da facção criminosa", explicou.

Ainda conforme a Polícia Civil, além da troca de mensagens entre presos e criminosos em liberdade, o grupo também realizava movimentações financeiras utilizando contas bancárias de familiares.

PAIS TAMBÉM INTEGRAVAM CV

Durante a coletiva, Victor Hugo afirmou que os pais da investigada também participavam do esquema criminoso. Segundo ele, o casal recebia recados, movimentava dinheiro e emprestava contas bancárias para facilitar a lavagem de recursos.

"Eles fazem parte da organização criminosa. São pastores e não temos dúvida nenhuma em afirmar que integram a organização criminosa. Isso será demonstrado ao longo da investigação", disse.

Os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão.

Outro ponto revelado pelo delegado foi que a investigada teria recorrido ao Comando Vermelho para resolver um furto ocorrido em sua residência. Segundo a Polícia Civil, em vez de procurar as autoridades, ela pediu a integrantes da facção a aplicação de um "salve" contra o suspeito do crime.

"Ela buscou ajuda na facção criminosa, em vez de procurar a polícia, e solicitou esse 'salve', que acabou acontecendo", afirmou Victor Hugo.

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil apreendeu veículos, dinheiro em espécie e diversas camisetas com referências ao Comando Vermelho. As investigações continuam com a análise dos equipamentos eletrônicos, movimentações financeiras e demais materiais recolhidos durante a operação.

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