A principal investigada na Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (16), teria recebido uma cirurgia plástica custeada por um dos líderes do Comando Vermelho como parte da rede de benefícios oferecida pela facção criminosa. A informação foi revelada pelo delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, durante entrevista coletiva.
Segundo o delegado, a jovem, presa preventivamente na operação, mantinha relacionamento com um integrante apontado como liderança da organização criminosa e desempenhava papel estratégico na comunicação entre presos e membros da facção em liberdade.
"Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores. A presa de hoje teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa", afirmou o delegado.
De acordo com Victor Hugo, as investigações apontam que a suspeita não exercia atividade profissional compatível com o patrimônio que mantinha.
Conforme o delegado, ela utilizava uma empresa de fachada para movimentar recursos oriundos da facção criminosa e participava da lavagem de dinheiro por meio da distribuição de valores em espécie.
"Ela não trabalha. Tem apenas empresa de fachada e fazia a dilapidação de valores em espécie. Os veículos, o patrimônio e o padrão de vida serão analisados durante a investigação, mas a suspeita é de que tudo era custeado por integrantes da facção", declarou.
A Polícia Civil informou que ainda apura o montante movimentado pelo grupo e aguarda a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados.
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GRUPO USAVA PROJETO RELIGIOSO
Segundo o delegado, a investigação teve início após denúncia recebida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e se estendeu por mais de um ano. As apurações apontam que os investigados utilizavam um projeto missionário desenvolvido em unidades prisionais como forma de facilitar a comunicação entre integrantes da facção.
"Eles utilizavam o projeto de evangelização dentro das penitenciárias como subterfúgio para levar recados, lavar dinheiro e atuar em favor das lideranças da facção criminosa", explicou.
Ainda conforme a Polícia Civil, além da troca de mensagens entre presos e criminosos em liberdade, o grupo também realizava movimentações financeiras utilizando contas bancárias de familiares.
PAIS TAMBÉM INTEGRAVAM CV
Durante a coletiva, Victor Hugo afirmou que os pais da investigada também participavam do esquema criminoso. Segundo ele, o casal recebia recados, movimentava dinheiro e emprestava contas bancárias para facilitar a lavagem de recursos.
"Eles fazem parte da organização criminosa. São pastores e não temos dúvida nenhuma em afirmar que integram a organização criminosa. Isso será demonstrado ao longo da investigação", disse.
Os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão.
Outro ponto revelado pelo delegado foi que a investigada teria recorrido ao Comando Vermelho para resolver um furto ocorrido em sua residência. Segundo a Polícia Civil, em vez de procurar as autoridades, ela pediu a integrantes da facção a aplicação de um "salve" contra o suspeito do crime.
"Ela buscou ajuda na facção criminosa, em vez de procurar a polícia, e solicitou esse 'salve', que acabou acontecendo", afirmou Victor Hugo.
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil apreendeu veículos, dinheiro em espécie e diversas camisetas com referências ao Comando Vermelho. As investigações continuam com a análise dos equipamentos eletrônicos, movimentações financeiras e demais materiais recolhidos durante a operação.
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